Diretor da easyJet diz que o novo modelo do subsídio de mobilidade “é irracional, anormal e de uma irresponsabilidade total”

Hoje, em entrevista ao Jornal Económico, o diretor da easyJet em Portugal, José Lopes, reafirma que a companhia “low cost”, responsável por transportar 600 mil passageiros nas ligações à Madeira, não pode “implementar isto”. Significa isso que, como afirma, “criar um fluxo de vendas para residentes completamente diferente dos passageiros não residentes, é uma questão técnica complexa, um processo demorado. Não conseguimos fazer isso em menos de dois anos. E temos a certeza, sabemos que nenhuma companhia aérea que voe hoje em dia para a Madeira concorda que deve substituir o Estado numa relação com o contribuinte. Tecnicamente, estas rotas já não são de serviço público, mas liberalizadas. Depois, há uma questão económica, porque este limite mínimo de 86 euros vai puxar as tarifas reais que hoje ainda existem para cima de uma forma inflacionada”.

José Lopes diz que esta medida, apresentada pelos deputados do PSD-Madeira na Assembleia da República, ao arrepio de um acordo entre António Costa e Miguel Albuquerque para a criação de um grupo de trabalho para estudar o assunto, pode representar, para o Estado, um custo de 200 milhões de euros por ano só para este subsídio”.

De acordo com aquele responsável pela companhia, em Portugal, deveria ser aplicada uma fórmula que assente na fixação de um valor médio anual para o bilhete, ajustado à sazonalidade, para que o passageiro seja responsabilizado. E se houver regulamentaçãoe e a respetiva dotação orçamental, que não consta do Orçamento de Estado, a easyJet diz que sai mesmo da rota da Madeira, mas admite fazê-lo também relativamente a outros destinos onde opera, nas respetivas ligações à Região.

Refere José Lopes que “esta decisão é completamente irracional, anormal e de uma irresponsabilidade total. Vamos falar com todos os partidos políticos. Vamos pedir uma audiência de urgência ao Presidente da República. Já pedimos uma audiência de urgência ao ministro da tutela, Pedro Santos, ministro das Infraestruturas…Nós não queremos sair da Madeira ao fim de 12 anos de operação”, garante.

A easyJet está em Portugal há 20 anos.


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