Manifestação contra a aquacultura domingo na Ponta do Sol

Um grupo de cidadãos contrários à aquacultura juntou-se na “Plataforma AZIA – “Anti Zona de Interesse para a Aquacultura” e contesta a instalação de jaulas na costa sul da Madeira. Por isso puseram em marcha uma petição contra tal desiderato, que está a ser considerado pelo Governo Regional, e agendaram para domingo, pelas 16h00, uma manifestação intitulada de ‘Não às Jaulas!’, no Cais da Ponta do Sol.

“A população em geral apenas teve conhecimento de que haviam pretensões de serem instaladas jaulas para aquicultura na nossa costa, ao serem instaladas bóias de sinalização para delimitação da área, a 11 de Agosto de 2018. Contestamos essa intenção com várias iniciativas e em várias frentes e apesar de a 3 de Setembro de 2018, terem retirado duas das quatro bóias de sinalização
e do director das Pescas de então ter veiculado na comunicação social a informação de que o projecto sofreria alteração, concentrando-se apenas junto à praia dos Anjos, a Plataforma manteve-se este tempo todo alerta, pois tal não correspondia à verdade das reais intenções, tanto do director como do promotor, que foi contactado nesse dia e confirmou que seria para avançar”, garante um comunicado.

Entretanto, e no dia em que o Orçamento da RAM foi oficializado, o secretário do Mar e das Pescas, Teófilo Cunha, deu a conhecer, através do telejornal da RTP Madeira de que existe a pretensão no avanço da aquicultura na Ponta do Sol e o aumento do número de jaulas da AC1, no Arco da Calheta.

“Face a tudo isto, a Plataforma AZIA volta a insurgir-se contra toda e qualquer movimentação. E ao contrário do que os representantes do governo tentam fazer crer, não se trata de uma guerra partidária. Estamos todos a lutar pela causa na qualidade de Cidadãos, sendo a maior parte apartidária”, garante Elisabete Andrade, em nome da plataforma, exigindo mais consultar à opinião pública.

A plataforma diz ser contra a aquacultura por razões de impacto ambiental, “pois este modo de produção de peixe polui os fundos marinhos com fezes e ração não ingerida, produtos químicos de síntese e antibióticos. Promove doenças e interfere com a genética dos peixes selvagens. Impacta também sócio-economicamente a nossa região, pois este tipo de empreendimento entra em conflito com outras actividades económicas locais, entre elas o turismo, pesca, e actividades náuticas diversas”, sustenta.

“Não é de todo uma valia para a economia local. Além de que só emprega 30 pessoas apesar de gerar em vendas, como no caso do ano transacto, 5,1M€. Este sector tem também impacto na saúde e bem-estar de animais e humanos, entre várias situações, devido ao alimento natural dos peixes ser substituído por cereais OGM e farinhas de sangue e penas, oriundas de matadouros, sabe-se lá com que fiscalização em termos de higiene, comprometendo o bem-estar dos peixes e das pessoas que os consomem. E como não podia deixar de ser, pelo impacto visual, que a maioria da população aponta, pois compromete a paisagem e beleza estética da costa”, refere o comunicado enviado à nossa Redacção.

“O nosso governo regional usa como justificação para a aposta neste sector a sobrepesca que está a contribuir para a diminuição dos stocks de peixe e as alterações climáticas, como se a aquicultura offshore fosse a solução, porém, e ao contrário do que veicula de modo a moldar a opinião pública, esta não é uma solução nem alternativa!”, conclui.

A petição pública, em https://peticaopublica.com/?pi=PT90321, conta já com mais de 1100 assinaturas.