Nova “baixa” no CDS Madeira, médico do grupo de trabalho para a Saúde entrega “manifesto” de solidariedade com Filomena Gonçalves e de crítica a Rui Barreto

O ambiente é cada vez mais tenso no CDS Madeira com a Saúde no centro da discussão. E é de tal modo que já está contabilizado mais um pedido de desvinculação acompanhado por um manifesto de descontentamento e justificação por parte do jovem médico João Meirinho Moura, militante desde 2011 e que fazia parte do grupo de trabalho constituído pelo partido para estabelecer um projeto de liderança clínica no SESARAM. Era esse o acordo do governo de coligação, o PSD geria o conselho de administração, o CDS a componente clínica com a constituição de uma equipa para os respetivos serviços.

Esta saída acontece depois de Filomena Gonçalves, a médica que estava indicada pela liderança de Rui Barreto para a direção clínica do Serviço de Saúde, ter “batido com a porta” em função da forma como o processo foi conduzido e depois de terem vindo a público notícias que deram conta de uma reunião, entre a presidente do SESARAM Rafaela Fernandes e os diretores de serviço, onde em cima da mesa esteve a alteração de estatutos mas também o nome de Filomena Gonçalves, que teve um “chumbo” alargado, levando aquela profissional a considerar esse procedimento “um enxovalho público” e a decidir entregar a desvinculação do partido descontente com a forma como a liderança de Rui Barreto negociou este “pacote Saúde”.

O Funchal Notícias sabe que o médico João Meirinho Moura também terá deixado claro, no “manifesto” enviado às cúpulas do CDS Madeira, a sua posição crítica relativamente ao modo como toda esta negociação na Saúde vem decorrendo, posição que se junta a posições de outros militantes no mesmo sentido, além de que, como já referimos em peças anteriores, fontes do CDS suspeitam que “a decisão de Rafaela Fernandes de levar à reunião o nome de Filomena Gonçalves “visou precisamente obstaculizar a nomeação através de uma legitimação concedida pela posição dos diretores de serviço, sabendo que a mesma, assumida por profissionais nomeados pelo anterior governo, do PSD, seria contrária à indicação da médica do CDS. Foi uma decisão bem sucedida por parte da Dra. Rafaela”, dizem várias fontes ligadas ao processo.

Segundo apurámos, no âmbito deste dossier Saúde, a ideia que ressalta é que “Rui Barreto ficou com um deslumbramento de tal ordem que deixou cair este grupo e descurou a negociação na Saúde, quando efetivamente o que conseguiu foi uma meia secretaria da Economia e uma pseudo secretaria do Mar”. O Dr. Mário Pereira também está no foco desta exposição, sendo que o médico, que durante anos foi oposição ao sistema de Saúde, acabou por não ter, agora, o devido acompanhamento pela direção do CDS.