Militantes do PSD-M votaram nas “diretas” mas na sede os nomes não foram descarregados, PSD nacional desiludido com estrutura regional

Albuquerque com rio e Jardim
“Diretas” do PSD distanciam líderes regional e nacional.

Sábado, 18 de janeiro, há a segunda volta para as “diretas” nacionais do Partido Social Democrata, sendo que em disputa estarão o atual líder Rui Rio, que na primeira volta obteve 49,44% dos votos, e Luís Montenegro, um candidato que nesta votação do passado sábado reuniu 41,26% dos votos. Uma votação com a Madeira no centro da polémica e com o PSD-M a preparar-se para não participar na seguna votação.

O diferendo entre PSD-Madeira e PSD nacional acentuou-se com a eleição, mas também através dos votos dos deputados madeirenses relativamente ao Orçamento de Estado, que se abstiveram ao mesmo tempo que a bancada social democrata votava contra a proposta do governo de António Costa. Depois, foi a votação nas diretas, com o partido, na Região, a permitir o voto a 2500 militantes quando Lisboa só reconhecia 104 em condições de exercício desse direito, à luz do regulamento nacional, aprovado em finais de 2019 e que contraria os procedimentos do PSD-M em matéria de pagamento de quotas. No final, os votos da Madeira não foram contabilizados devido a uma “desconformidade” com o caderno eleitoral, como explicou então o presidente do Conselho de Jurisdição do partido, Nunes Liberato.

Na Madeira, enquanto o partido não reúne hoje para dizer o que vai fazer sábado, militantes que colocam algumas reticências ao procedimento da liderança de Miguel Albuquerque, alegam mesmo que além de muitas vezes a estrutura regional ter recebido solidariedade do partido a nível nacional, dá-se a circunstância de a lei não permitir partidos regionais e, por isso mesmo, haver necessidade do PSD-M respeitar as normais e procedimentos nacionais, uma vez que uma coisa é a independência estatutária, que o PSD-M tem, outra coisa é a independência enquanto personalidade jurídica, que não tem.

Acresce, neste contexto, que as verbas resultantes do pagamento das quotas dos militantes na Região, deveriam ter sido canalizadas, pelo secretariado do PSD-M, para o partido a nível nacional, o que não aconteceu, resultando daí esta situação que terminou com a não contabilização dos votos da Madeira nas “diretas” nacionais.

Os mesmos militantes acrescentam, ainda, outras situações que, na sua opinião, colocam o PSD-Madeira num quadro “inédito” em termos de atitude e responsabilidade “enquanto partido que sempre teve uma atuação de cumprimento das suas obrigações dentro dos parâmetros legais”, dizem mesmo que “tanto as cópias dos boletins de voto”, notícia avançada pelo DN e confirmada pelo FN, como o facto de “os nomes dos votantes não terem sido descarregados nos cadernos”, o que aconteceu na sede à Rua dos Netos, vêm comprovar o contexto de desorganização em que decorreu o ato na Madeira e a total dissonância com a matriz social democrata madeirense.

Recorde-se que o ex-presidente do Governo Regional e ex- líder do PSD na Região, Alberto João Jardim, mandatário de Rui Rio, insurgiu-se contra a forma como a eleição estava a decorrer na Região, protestando e ameaçando com impugnação, num quadro em que um outro mandatário, Rui Abreu, da candidatura de Pinto de Luz, enviava mensagens aos militantes dando conta que esse candidato “respeitou a Autonomia, merece o nosso apoio”. Pinto de Luz acabaria por vencer na Região, embora a votação não tivesse contado oficialmente.

No âmbito nacional, fontes ligadas às estruturas dirigentes, apontam a desilusão da liderança relativamente à atuação de Miguel Albuquerque e do PSD-Madeira, apontam mesmo uma certa “deslealdade” face ao líder, que apenas tomou conhecimento do sentido da votação dos deputados da Madeira no Orçamento de Estado, precisamente pelos próprios deputados e na manhã do dia da votação. O episódio das diretas “reforçou” esse ambiente de tensão que Albuquerque não tem problemas em manter, posição que alguns militantes na Região atribuem ao facto do líder já ter manifestado intenção de não pretender prolongar muito a sua vida política ativa.