Antigo Fokker  da Portugália “grounded” no Cazaquistão após acidente da Bek Air

Esta noite um voo interno no Cazaquistão não teve um desfecho feliz. Instantes após da descolagem de Almaty um Fokker 100 da “airline” cazaque Bek Air, que tinha como destino a capital Astana, não logrou ganhar altitude e despenhou-se atingindo um edifício. A fuselagem desfez-se em várias seções, havendo mais de uma dezena de baixas entre os 93 passageiros e 5 tripulantes, além de uma pessoa colhida no chão. O malogrado Fokker 1000 (UP-F1007) foi produzido em 1996, um dos últimos entregues antes do término da produção em 1997. A autoridade nacional da aviação não teve meias medidas, e sem esperar pelo resultado preliminar da investigação do acidente, proibiu a Bek Air de riscar os céus.

Durante mais de um quarto de século o Fokker  100 foi o “cavalo de corrida” da Portugalia, muitas vezes operados na linha Madeira-Lisboa.  Seis unidades fizeram parte da frota.

Fokker 100 CS-TPF da Portugalia em Lisboa (Crédito: José Freitas)

Como consequência da modernização da frota da Portugalia após a privatização da TAP Air Portugal, dois Fokker 100 foram vendidos à Bek Air em 2017. O CS-TPA, que não se encontra a voar desde 2018 e provavelmente será fonte de peças (actual UP-F1016), e o CS-TPF que ainda voa (UP-F1017). A Bek Air ainda possui o antigo CS-TPD (agora UP-F1018) que foi vendido em 2016 pela Portugalia à Air Panama, que depois o parou, e em 2019 o vendeu aos cazaques. Dado que outros dois Fokker 100 da Portugália foram desmantelados no Aeroporto Sá Carneiro (CS-TPB e CS-TPE) em 2018 e o que foi para a Saarbruecken para ser acabou por não ser entregue à Air Panama (CS-TPC, actualmente desmotorizado), este acidente provalmente dita o fim dos Fokker 100 portugueses.

Fokker 100 da Portugalia em Lisboa (Crédito: José Freitas)

Cabe esclarecer que o acidente da Bek Air não envolveu nenhuma aeronave que tenha pertencido à Portugalia.