A Oportunidade

A aprovação do OE 2020 poderá vir a ser viabilizada com o voto favorável dos deputados do PSD Madeira na Assembleia da República, no próximo mês de Janeiro. Significativa oportunidade para a Região concretizar algumas das suas reivindicações.

Não é necessário ser adivinho, mas julgo que as coisas estarão já a ser preparadas há algum tempo. Como explicar de outro modo que o ministro Centeno tenha vindo ao Funchal anunciar a redução da taxa de juro do empréstimo concedido à Região no
âmbito do programa de ajustamento, uma clara reposição de justiça, originando para a Região uma poupança na ordem dos 100 milhões de euros, conforme enfatizado pelo ministro?

Das reivindicações em carteira, já anteriormente elencadas, constam a participação do Orçamento de Estado na construção do Novo Hospital e as relativas à Mobilidade, entre outras.
A construção do novo hospital é por demais evidente, pela mais valia para os madeirenses mas, também muito importante, ao nível da vantagem competitiva no mercado do turismo.

Relativamente à mobilidade, no vetor marítimo, o governo regional, para além das comparticipações que reivindica, terá de fazer um profundo trabalho de enquadramento legal e disciplinar, preparando um concurso internacional global, ou seja, passageiros e
carga, temática que nunca foi efectuada.
Estou consciente das dificuldades e não conheço aprofundadamente os dossiers, reconheço, mas estou convencido da exequibilidade do negócio ou, pelo menos, com muito menores recursos financeiros compensatórios do que os tornados públicos.
Matérias difíceis e sensíveis, mas fomos às urnas para que o governo eleito resolva ou equacione adequadamente as grandes questões de interesse coletivo. Uma questão final, mas de não menos importância, e que voltarei a ela a seu devido tempo.

Fala-se, e bem, em ampliar o Porto de Cruzeiros. No tempo das vacas gordas ter-se-ia concretizado com não muito mais de 100 milhões de euros. Não vamos discutir as prioridades de então, o que não quer dizer que algumas não tenham sido de muito
discutível opção. Mas existe um outro tema mais premente, e que tem a ver com a questão da operacionalidade do aeroporto.
É fundamental para o futuro da Madeira e do Porto Santo poder tornar realidade, algum dia que não seja muito distante, a afirmação categórica de que a Região está acessível na mobilidade aérea nos 365 dias do ano.

Compreende-se para este desiderato a existência de uma estrutura aeroportuária alternativa, com os requisitos mínimos. Na esmagadora maioria das vezes, quando as condições meteorológicas impedem o funcionamento do aeroporto, em que parte da
Região o permitem? A resposta é na costa Oeste, conforme atestam os dados meteorológicos, onde até já há terrenos adquiridos.

Naturalmente que serão necessários estudos adequados e de viabilidade financeira. Mas as grandes conquistas começam por sonhar arrojadamente. Ao menos priorize-se, equacione-se e estude-se! Vale a pena sonhar. “Estamos acessíveis 365 dias em cada ano!”