Grandes barracas

icon-henrique-correia-opiniao-forum-fnEste mês de dezembro não é de arrufos, não é para “maus fígados”, é mais para a poncha, para a carne de vinho e alhos, para as tangerinas, para a corrida às compras, para o cacau, para as missas do parto que o padre José Luís não gosta (e bem) por causa da algazarra que substitui a fé, para o Feliz Natal de rua, mesmo que nada tenha a ver com sentimento mas com o dever cumprido que as obrigações da “Festa” assim determinam e fica muito bem, a par dos beberetes e dos jantares, muitos “falsos como Judas”, onde o croquete e a tapa, com o gin e o vinho pelo meio, fazem cruzamento com tudo o que foi preciso engolir ao longo do ano. São festas e este mês não é para desforras nem ajustes de contas. Vai sempre mais uma ginjinha à conta de ver a lapinha e esperar pelo Pai Natal, se possível generoso.

barracas1Mas não, o mês é de tudo o que escrevemos atrás, também de harmonia, da verdadeira, mas tanto o Governo como a Câmara Municipal do Funchal decidiram protagonizar um folhetim da novela “barracas da Placa Central”. O Governo, mal tinha tomado posse, e já tomava conta de uma parte da cidade para dar “barraca” a quem precisasse, numa atitude que nem o que está consagrado pela lei justifica. Na vida, há ilegalidades e imoralidades, ponto. Mas foi assim, unilateralmente, uma resolução acabou com as barracas da Câmara e colocou as barracas do Governo. Nem um lado (Câmara), nem outro (Governo) ficam bem na fotografia e muitos eleitores interrogaram-se, ainda em surdina porque o meio é pequeno e não vá as paredes terem ouvidos, se foi para isto que colocaram o voto nas urnas. Logo para um “braço de ferro” numa questão tão aparentemente pacífica como a Placa Central e o Mercadinho de Natal. A sério? Não havia nada mais importante, mais político, para medir forças? Engraçado, o Natal é uma festa também infantil, talvez por isso, fugiu um pouco para o regresso à chamada “idade da inocência”. Que neste caso, de inocência teve pouco ou nada.

Acreditamos que, por isso, pelos excessos das autoridades locais e regionais, o presidente do Governo tenha vindo afirmar, quando visitou o local, que esta era uma questão ultrapassada. De facto, para bem da comunidade, é bom que se esqueça rapidamente este episódio tão desprestigiante em contexto democrático e no âmbito do relacionamento institucional que deve estar acima dos interesses e das questiúnculas individuais de um qualquer “braço de ferro”. Tanto Miguel Albuquerque como Miguel Gouveia, quando viram que aquilo ia descambar, e percebeu-se isso até do lado de fora, deveriam ter assumido uma intervenção que visasse o consenso.

natal barracasAs vitórias políticas também se conquistam com elevação e nem sempre só com “rasteiras”, como muitos possam pensar e estão habituados. Quando se diz que em política não vale tudo, e é verdade, é para todos, neste caso das barracas é para o Governo e para a Câmara, que devem repensar futuramente na sensibilidade dos enviados que mandam tratar dos assuntos e acabam por brincar com coisas sérias.

Mas para além disso, como se não bastasse, há outra barracada na Praça do Povo e não se compreende como é que, com tanta gente nos departamentos oficiais, locais e regionais, tanto assessor, chefes de gabinetes e tanta comissão, não houve pelo menos um que alertasse que aquele “bairro” ia ficar à volta da bonita árvore de luzes ali colocada. Vai ser bonito ver as imagens correndo mundo, com as barracas como “pano de fundo”. Alguém já perguntou se não há uma entidade superior que tome conta daquela parte da Praça do Povo, como fez o Governo na Placa Central, para retirar as barracas a tempo e passa-las para outro lado, no fundo para colocar alguma ordem e estética naquilo. É que o aspeto fundamental, além de ser muita barraca junta (é outra questão), nem é evitar que elas (barracas) existam, embora o número seja discutível. O problema é mesmo a localização tão pouco cuidada do ponto de vista visual e naquele espaço emblemático de imagens de Natal na cidade.

É que aquilo não se resolve com verbas para a promoção, resolver-se é com alguém que pense no assunto…mas como diz o presidente do Governo, está resolvido e não se fala mais nisso. A gente quer é festa, uma ponchinha e uma sandes à maneira.

Para este ano, chega de barracas!

Bom Natal e Feliz Ano Novo.