Bloco reconhece que a esquerda vive a pior crise da história da Autonomia mas promete que a oposição “será feita na rua”

PAULINO aSCENÇÃO
Paulino Ascenção cabeça de lista do BE nas Regionais de 22 de setembro.

O Bloco de Esquerda Madeira reuniu a Comissão Regional e responsabilizou a bipolarização nas últimas eleições regionais como determinante para a saída do Parlamento. E com uma conclusão: “A Eesquerda vive a pior crise da história da Autonomia”.

Para a coordenação regional do Bloco “a oposição será feita na rua, pois no parlamento verifica-se um quase unanimismo favorável à hegemonia neoliberal que quer destruir o que resta do Estado Social e dos serviços públicos para aumentar as desigualdades e a concentração da riqueza, continuar a transferir o poder para mãos privadas e esvaziar de conteúdo a Democracia e a vontade dos cidadãos. O debate na ALRAM vai estar centrado em na politiquice, pois no essencial os quatro maiores partidos estarão todos de acordo”.

Num comunicado saído da reunião, o BE aponta que “a forte polarização marcou as eleições regionais de 22 de setembro, apesar da pouca diferenciação das propostas entre os dois maiores partidos, juntos elegeram 85% dos deputados. Tratou-se de uma polarização fulanizada (porque baseada nas personalidades e não nos programas políticos, poucos distintos) que os demais partidos não conseguiram contrariar”.

Refere o Bloco que “o acordo para a formação do novo Governo baseou-se estritamente na negociação de lugares e não em políticas. O Governo cresceu em tamanho para encaixar os elementos do novo parceiro e o que era apontado de desilusão foi abraçado com entusiasmo”.

De taL forma que “os primeiros sinais deste Governo dizem-nos ao que vem: reforçar a concentração da riqueza e do poder nos “donos disto tudo” e continuar a empobrecer quem vive do seu trabalho. O anúncio do pagamento de seis milhões pelos terrenos do Penedo do Sono no Porto Santo, a exigência da Quadrantes de cinco milhões ao Sesaram, a promessa de descida do IRC, atrás do exemplo da Irlanda, são demonstrações que o interesse público e o bem comum dos madeirenses não constam das preocupações do novo Governo”.

Face a esta situação, a estrutura liderada por Paulino Ascenção promete que “a esquerda democrática e plural que é o Bloco vai continuar a batalhar, mesmo estando fora do parlamento. Na defesa intransigente dos serviços públicos de saúde e de educação, pela dignidade de quem trabalha, para que tenha uma remuneração justa e tempo disponível para o lazer e para a família, por mais justiça social e contra a subserviência do poder político aos interesses económicos.