Posições de Jardim deixam “aparelho” do PSD-Madeira desconfortável

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A constituição das listas de candidatos e a forma como ocorreu a constituição do Governo Regional, com uma veloz “dança de cadeiras”  em função dos acertos que tanto o PSD como o CDS foram obrigados a fazer face ao acordo e ao “encaixe” daquilo a que podemos chamar de “clientela política” que a partidocracia aconselha, vem suscitando alguns incómodos internos e externos que já motivaram reações públicas de representantes de orgãos partidários eleitos.

As posições assumidas por Alberto João Jardim têm sido mal recebidas dentro do PSD de Albuquerque, ainda que este exerça para a opinião pública uma postura de algum bom sendo para não ferir suscetibilidades, até porque conhece bem Jardim e sabe que o ex-presidente do partido e do governo e atual presidente honorário do PSD-Madeira jamais ficará parado a obedecer a estratégias de contenção, o que seria manifestamente contraditório com todo o histórico que o histórico líder oferece no seu “currículo”.

Foi o secretário-geral José Prada quem veio assumir uma posição que não convém ser assumida por Albuquerque, a de recomendar uma discussão interna, nos canais próprios, onde será possível discutir todos os assuntos, também eventualmente a tal refiliação partidária que Jardim defende, mas sem trazer para a praça pública a ideia de vulnerabilidade e de eventuais divisões na estrutura “laranja”, mesmo sabendo que elas existem e que, de certo modo, Jardim vem dando expressão.

Alberto João Jardim, igual a si próprio, foi na governação como é agora no escritório do Quebra Costas, interventivo e opinativo, não ficou parado a ver o PSD-Madeira perder, pela primeira vez, a maioria absoluta. Disse-o com todas as letras, primeiro escreveu a Miguel Albuquerque uma carta muito contundente, como o Funchal Notícias deu conta, criticando as listas, tanto para a Assembleia Regional como para a Assembleia da República, apontando o dedo às escolhas do líder e escrevendo mesmo os nomes de algumas figuras que, tendo sido candidatas, não são mais valias para o partido, essencialmente pelo trabalho que desenvolveram, na ótica de Jardim, para a criação de divisionismo interno.

Mas Jardim não ficou por aqui e escreveu, também, a Rui Rio, o líder nacional que enfrentava um desafio praticamente impossível de procurar vencer António Costa. Jardim esteve ao lado de Rio e na carta ao líder, apontou as fragilidades da lista social democrata madeirense que não era, de modo algum, ajuda da Madeira à liderança nacional num momento em que se exigia uma equipa forte.

No fundo, foi o que Jardim disse no artigo de opinião, publicado simultaneamente no JM e na página pessoal da rede social Facebook. Um artigo mais comedido, por ser público, quer para o líder regional, quer para a constituição das listas, desta vez não falando em nomes, embora se infira a quem se refere Jardim. Até porque mesmo sem falar em nomes, Jardim diz que nas eleições nacionais, participou numa ação política de campanha no “retângulo” e votou PSD para apoiar Rui Rio, deixando implícito ou até mesmo explícito que o seu voto não foi para viabilizar a lista do PSD à Assembleia da República, que acabou por empatar com o PS em número de eleitos (3 cada), que não em número de votos expressos, onde o PSD foi superior.

Não se sabe até que ponto o PSD-M vai ou não adotar medidas para refletir sobre a progressiva perda de hegemonia. Nem tão pouco até que ponto é que a divisão interna é ou não uma realidade que a todo o momento pode surgir. Fontes bem colocadas garantem-nos que Albuquerque ainda tem uma margem de “crédito”, embora algumas das suas decisões tenham sido pouco “amadurecidas” em termos de PSD para o futuro, deixando-se levar pelo seu núcleo próximo de apoio e tentando satisfazer todos aqueles que foram alvo de mudança de cargos, uma situação que muitos apontam como pouco eficaz em relação à necessidade de dar consistência ao aparelho governamental, que não obedece aos mesmos critérios de um aparelho partidário.


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