Demagogia

É triste ver o político António Costa fazer demagogia política. É triste mas também angustiante, com laivos de impotência, pois trata-se do futuro de todos nós. E com a responsabilidade que tem. Afinal desempenha o cargo de Primeiro-ministro. Devia ser o exemplo.

Tudo a propósito do aumento do salário da função pública.

Sabemos que Portugal, muito embora os últimos anos de retoma económica tivessem aliviado as famílias mais carenciadas, tem muito a fazer para resolver o grave problema da dívida pública, já para não falar da recuperação entre os seus pares europeus.

O que deve ser dito e redito é que cada vez mais ficamos na cauda da Europa, quando medidos pelo PIB per capita em paridade de poder de compra.

Como superar este desafio? Com investimento e ganhos de produtividade.

Tão grave e pertinente é a resolução do stock da dívida pública. Como se resolve? Criando excedentes que permitam ir progressivamente amortizando-a.

Para a resolução desta equação é assim necessário que as receitas crescam e que a despesa seja contida na medida em que se gerem recursos. Mais uma vez é preciso que o PIB cresça robustamente.

Se a crise da Dívida Soberana regressar, e sabemos que ciclicamente assim o será, com o nosso actual nível de endividamento, desgraçadamente, não teremos folga orçamental para contrariar as tendências regressivas.

Qual é o racional então para o Primeiro-ministro vir a terreiro com tais promessas? Porque cavalgando a onda das eleições para o Parlamento Europeu espera agora atingir a maioria absoluta nas próximas legislativas.

Muito bem esteve Rui Rio, assertivamente declarando que, sim aumentos, mas em função da geração da riqueza produzida.

Marcou a agenda política.

Lamenta-se que seja em tão poucas ocasiões.