Editorial sobre o Pe. Martins Júnior: Foi por vontade de Deus… com a ajuda dos homens!

O Bispo do Funchal, D. Nuno Brás publicou, a 16 de junho de 2019, um decreto que revogou a pena de suspensão “a divinis” do Padre Martins Júnior, decretada por D. Francisco Santana a 27 de julho de 1977.

Nos termos do decreto revogatório, considerou-se que, passados quase 42 anos, “as razões primeiras que levaram à aplicação e manutenção dessa pena deixaram de existir”.

Em bom rigor, com o passar dos anos, poucos se recordam dessas “razões primeiras”. Da “aplicação”, por D. Francisco Santana e da “manutenção”, por D. Teodoro de Faria, a 7 de janeiro de 1985.

Mas o decreto episcopal sublima que a decisão revogatória foi tomada depois de ouvido o Padre Martins Júnior e os Conselhos Episcopal e dos Consultores. O diálogo dos homens deu frutos.

O perdão não é fácil, a reconciliação ainda mais difícil. Mas Cristo veio à Terra para realizar a obra de reconciliação.

Os Humanos dizem que se fez Justiça. Os crentes dizem que Deus escreve direito por linhas tortas. Os verdadeiros Católicos só podem dizer que foi por vontade de Deus… com a ajuda dos homens.

Não esqueçamos que o Pe. Martins Júnior foi acusado pelo Ministério Público, a 29 de Outubro de 2001, da prática, de forma continuada, de um crime de “abuso de designação, sinal ou uniforme”.

Importunou-se o MP, pela segunda vez, com um crime cuja pena máxima abstractamente aplicável não iria além dos seis meses de prisão.

Mas as leituras político-partidárias -por mais legítimas que sejam- devem, agora, dar lugar ao perdão. Os ódios, os rancores, as vinganças não são próprios de um Cristão. Quem segue a Cristo deve saber perdoar. 70X7.

Não se pode esquecer o percurso de vida multifacetado de Martins Júnior (sacerdote, político, presidente de Câmara, compositor/intérprete). Não se pode passar uma esponja sobre os episódios do ‘tribunal popular’, a ocupação policial da igreja da Ribeira Seca em 1985 e os mandatos exercidos na Assembleia Legislativa da Madeira (ALM).

Mas o ano da graça de Deus de 2019 deve ser de júbilo. O Rev.do Padre Martins Júnior foi nomeado, oficialmente, Administrador Paroquial da Ribeira Seca e o Bispo do Funchal vai visitar a Paróquia no dia 14 de julho, às 17 horas.

Haja Festa! Sobretudo por parte daqueles que o acompanharam nesta travessia do deserto (42 anos), entre eles Frei Bento Domingues, Francisco Fanhais, Anselmo Borges, José Luís Rodrigues, Mário Tavares, Janita Salomé, Rigo, Vítor Costa… e tantos outros que se solidarizaram com o Pe. Martins Júnior.

“Vidas Suspensas” era o título do programa da SIC que transmitiu, a 4 de dezembro de 2018, um programa sobre o Pe. Martins Júnior. A suspensão terminou. Aleluiua! Aleluia!

A sanação na raiz -também conhecida por sanação radical- foi o dispositivo do Direito Canônico ao qual se socorreu o Bispo diocesano para ultrapassar o caso. Em boa hora o fez porque, por um lado, o sacramento do sacerdócio, para quem o quer -e Martins Júnior quere-o, assim como a população da Ribeira Seca- é para toda a vida.
Por outro lado, permite convalidar os sacramentos até agora ministrados por Martins Júnior.

Mas atenção! Modus in rebus! Errar é humano, perdoar é divino. Não há vencidos nem vencedores. Quem vence é Cristo!