SRARN divulgou ontem aos jovens o trabalho em curso para fazer face às alterações climáticas

A Secretaria Regional do Ambiente e dos Recursos Naturais sublinhou, ontem, Dia Mundial da Terra, que o Governo Regional está atento para enfrentar o desafio das alterações climáticas, “um dos maiores problemas com que, actualmente, o nosso planeta e a nossa sociedade se deparam”. Segundo a SRARN, prevê-se que, na Madeira, até ao final do século, a temperatura aumente entre 1,3 e 3ºC, a precipitação diminua em 30%, a recarga subterrânea diminua em 50%, e o nível do mar aumente entre 50 e 75 cm. O aumento da temperatura e menos chuva terão como consequências previsíveis maior risco de incêndio florestal e menos água disponível.
A SRARN convidou 43 jovens para acompanharem Susana Prada num roteiro que visou explicar aos jovens o que está a ser feito para combater as alterações climáticas, e que incluiu uma passagem pela barragem do Paul da Serra, e uma visita à torre de vigilância do Rabaçal e à levada do Monte Medonho.
Dizendo-se conscientes de que o tema preocupa os jovens, as entidades governamentais apelam para o contributo de todos, poupando energiadesligando luzes em locais onde não está ninguém, evitando usar o carro em percursos curtos, privilegiando, sempre que possível, os transportes públicos, poupar água fechando a torneira quando se lava os dentes, ou tomando um duche em vez de um banho de imersão. 
Por outro lado, deve-se dar preferência a alimentos frescos locais, que não tenham de fazer enormes viagens de avião ou barco para cá chegar; reduzir a utilização de embalagens ou sacos de utilização única, usando um saco reutilizável para ir às compras; prolongar a utilização de vestuáriosapatos ou equipamentos electrónicos, por exemplo, não mudando de telemóvel sempre que sai um modelo novo; quando não for possível reutilizar algo, garantir que o mesmo segue para reciclagem.

O Governo Regional diz estar a apostar em duas frentes de combate às alterações climáticas, nomeadamente na redução da nossa contribuição para as mesmas, e na adaptação aos impactos causados por elas 

Como mitigar os efeitos? Reduzindo as emissões de dióxido de carbono, apostando nas energias renováveis, da qual a Barragem do Paul da Serra é um excelente exemplo, diz a Secretaria de Susana Prada. A barragem levará ao aumento da taxa de renováveis na produção de electricidade, dos actuais 30% para 40%, o que permitirá reduzir em 10% as emissões de CO2 no sector eléctrico, pois passamos a utilizar menos combustíveis fósseis; por outro lado, com a reflorestação e preservação da floresta, contribuímos para retirar CO2 da atmosfera. O CO2 fica armazenado nas plantas e no solo, contribuindo para a redução da intensidade das alterações climáticas. 

O GR diz ter reflorestado 222 hectares. Até 2020 serão reflorestados mais 450. Perante o risco de maior risco de incêndio florestal, foram reabilitadas as torres de vigilância, a partir das quais é vigiada 70% da floresta da ilha. Foram estabelecidos 60 pontos móveis de vigilância, a operar durante os meses mais críticos de Verão, o que permite cobrir toda a ilha. “Desta forma”, avança a Secretaria do Ambiente, “podemos detectar mais rapidamente um foco de incêndio e intervir logo, evitando que este tome grandes proporções”.

O GR diz estar a combater a vegetação invasora,como a carqueja e a giesta, plantas que fazem com que os incêndios se tornem mais intensos e se espalhem mais rapidamente, e a combater as perdas de água para que esta chegue a todos. “Prevendo que no futuro este bem será mais escasso, temos de minimizar o desperdício de água”, diz a SRARN, sublinhando as acções na área do regadio, com a recuperação de 100 km de levadas, o investimento de 39 milhões de euros entre 2015 e 2021. A Levada do Monte Medonho é citada como exemplo, com os seus 10 km de extensão.

Já na água potável, o GR está a recuperar 105 km de condutas e 80 reservatórios. Entre 2015 e 2021 investiram ou vão investir, 34 milhões de euros. A SRARN sublinha que se estão a criar reservas estratégicas de água em altitude, com a Barragem do Paul da Serra, que além da sua função mitigadora, também servirá para armazenar água (1 milhão de m3) e Túnel do Pedregal (40.000 m3). 

A reflorestação, além do impacto positivo que a floresta tem na retirada de CO2 da atmosfera, permite aumentar a infiltração de água e captar água dos nevoeiros.
 

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