Polémica na reunião de Câmara de Machico motivada pelas comemorações do 25 de abril

PSD acusa a Câmara de Machico de má gestão nas questões ambientais.

Na reunião da Câmara Municipal de Machico, realizada hoje, o presidente Ricardo Franco revelou ao FN a sua perplexidade pelo facto de a vereação social-democrata ter votado contra o voto proposto pela maioria PS de congratulação pelas comemorações dos 45 anos do 25 de abril. Os social democratas alegaram que não poderiam aprovar uma proposta que não estava clara.

Uma atitude que o autarca socialista, Ricardo Franco, considera de insólita: “Esta postura da vereação PSD evidencia tiques antigos, do tempo em que o partido laranja, aqui na Madeira, era contra tudo o que tinha a ver com o 25 de Abril”.

O FN ouviu a posição do PSD, tendo Ricardo Sousa explicitado a rejeição dos social-democratas nestes termos: “Nós não somos contra as comemorações do 25 de abril e, em anos anteriores, já votámos a favor. Acontece que, desta vez, não votámos a favor porque, infelizmente, o PS apresenta-se como o dono do 25 de abril ou o pai da democracia. Ora, o 25 de abril é fruto da concertação de esforços de toda uma sociedade, com os contributos das várias forças partidárias. Se hoje há democracia em Machico, ela é fruto não de um só partido mas do contributo de vários partidos”.

No entanto, Ricardo Sousa também adiantou que o PSD apresentou hoje à Câmara uma proposta que recomendava à CMM a construção de um caminho agrícola para servir a população do Porto da Cruz, que foi aprovada por unanimidade, “o que significa que a democracia está a funcionar”.

O FN reproduz, de seguida, o teor do voto de congratulação do PS às comemorações do 25 de abril, que não mereceu a aprovação do PSD: “Uma vez mais, Machico celebrará Abril e a Revolução dos Cravos, dando expressão à importância incontornável da data de há 45 anos, desde que a madrugada libertadora ecoou pelas gargantas de um povo faminto de liberdade e de quebrar as amarras de uma ditadura atroz, cerceadora dos mais elementares valores humanistas e democráticos – que sempre nortearam a razão primordial da luta antifascista – promovida por todos aqueles que tornaram possível o 25 de Abril e o transformaram como a grande vitória do povo português sobre um regime tirano, inquisidor e promotor de um obscurantismo retrógrado.

Evocar o 25 de Abril e os valores que o mesmo encerra constitui uma dos mais elementares atos de cidadania do Portugal democrático, destacando-se o fundamental papel levado a cabo pelos capitães e demais militares da revolução, sendo, igualmente, um momento de referenciação dos cidadãos que se distinguiram na luta contra a ditadura salazarista e, também, daqueles que souberam ser os intérpretes da mensagem de Abril e percursores na formação cívica, social, cultural e política das populações no período pós revolucionário, tendo, na Madeira, Machico se destacado, através de cidadãos esclarecidos, na forma ativa e interventiva com que defendeu os interesses do povo desta localidade.

Cumprindo a tradição machiquense, promover-se-á uma expressiva manifestação de cidadania, de homenagem aos autores que trouxeram a liberdade, a democracia, o desenvolvimento, o poder local democrático e as autonomias regionais. Este acto de valorizar o “25 de Abril” constitui o cumprimento de um dever cívico, a que se acrescenta a missão de cultivar o espírito de Abril e de transmitir um importante testemunho aos mais novos, contribuindo para educar e sensibilizar a nossa juventude a preservarem os ideais de tolerância, de respeito pela diversidade de opinião e pelos direitos constitucionais que o “25 de Abril” trouxe.”

 


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