Lojas de há mais de meio século… desaparecidas!

O Funchal foi uma cidade cosmopolita desde sempre e, hoje, mais do que nunca. Mas, nos séculos passados, já tivemos as famílias reais, escritores, cientistas que escolhiam a Ilha da Madeira para curar os seus males, andar por estradas e caminhos poeirentos em redes, pois, o “footing” ainda não se conhecia e praticado como actualmente.

A vida nada tinha de stress, como hoje em dia se transformou. A cidade tinha, pois, os seus grandes estabelecimentos, como “Os Coelhos”, onde havia tudo: desde tecidos, linhas e toda a panóplia para bordar e costurar. Ficava onde é hoje a Assembleia Regional, aproximadamente logo junto às ruas transversais como a dos Murças, onde se podiam encontrar várias pequenas lojas de vimes e vinho Madeira; outras também com bordados e as maiores eram “Lino e Araújo” e “Os Oliveiras”.

Na rua da Alfândega estava a grande Casa Blandy, com os seus escritórios e o prédio do “Diário de Notícias” com a tipografia, porém, estes eram os principais edifícios da rua.

Na Avenida Arriaga, onde hoje fica uma grande sapataria, era  a MARCONI , e no fim da mesma, à esquina da Avenida, estavam estacionados velhos Fords e outros  para os turistas. O Golden Gate, conhecido como a “esquina do mundo “, era o ponto de encontro de amigos, senhoras elegantes, escritores e turistas. Na época era de bom tom ter ali um encontro.

Na Avenida do Mar, ao descer do Golden à esquerda, na esquina, havia uma esplanada o “Kit-Kat”, onde agora há um estabelecimento de fast food,  e ao longo da avenida estavam os lindos carros de bois, coloridos.

Andando depois, na entrada da Rua do Aljube estava o grande café “A Indiana”, cuja frequência era dos senhores de meia idade; rua adiante havia o estabelecimento “Camacho’s-Maison Blanche “, a “Casa Londrina” e o grande “Bazar do Povo “.

Na Rua do Ferreiros, quase no fim, havia à direita “A Casa Figueira”, a livraria local mais bem servida da cidade, com revistas, jornais e alguns livros estrangeiros, sempre as últimas novidades. O falecido Jorge Figueira da Silva era então um jovem, mas livros e novidades eram com ele. Várias vezes com meu pai, encontrava-se com os Drs. Alberto de Araújo, Álvaro Favila Vieira, Elmano Vieira e outros literatos desse tempo.

No Largo do Colégio, além da Casa Catanho, havia uma das melhores pastelarias da cidade a “Confeitaria Camacho “, com bolos de côco compridos como os bolos de bacalhau, os pingos de tocha – hoje desaparecidos – e variada pastelaria, e compotas em copos de vidro. Depois, ao descer a rua de João Tavira, encontrávamos  a velha casa “O Talassa” com tudo para o presépio ou a lapinha, a escadinha, santos, pastores e papel próprio para a feitura de grandes lapinhas, e anilinas de várias cores; nada faltava para a Festa, até as bombinhas, diabinhos e foguetes. A meio da rua situava-se a Farmácia Portuguesa e depois a Casa Alemã, havia, ainda, uma boa loja de ferragens e uma alfaiataria.

Na rua das Pretas, na esquina quem sobe, havia a charcutaria Bach, alemã e, mais acima, a célebre “Confeitaria Felisberta “.

Não quero deixar de recordar quando o cais da cidade, além de servir de passeio nas tardes e noites de Verão, tinha  a atracção na chegada ao Funchal dos navios que ficavam ao largo, cercados por pequenas embarcações com os “bomboteiros “que vendiam bordados  e tinham um grupo de rapazes que ganhavam dinheiro cada vez  que  os passageiros atiravam moedas  e eles mergulhavam e traziam a moeda. Coisas do passado, para recordar.

Não esqueçam de “jogar ” ao “belamente”, vem aí a Páscoa.