Bispo releva “mistério Pascal de Cristo” nas cerimónias fúnebres a D. Maurílio de Gouveia

Hoje, na Sé, foi a última homenagem dos madeirenses a D. Maurílio de Gouveia. Foto Rui Marote
As cerimónias fúnebres antes do corpo seguir para Évora. Foto Rui Marote
As entidades regionais presentes na “despedida” a D. Maurílio de Gouveia Foto Rui Marote

Esta manhã, decorreram, na Sé do Funchal, as cerimónias fúnebres a D. Maurílio de Gouveia, falecido terça-feira em Gaula. A despedida deu-se na “casa” que consagrou a vida religiosa do Arcebispo Emérito de Évora, cidade onde o seu corpo será sepultado e onde será alvo de uma última homenagem.

Hoje, o Bispo do Funchal, D. Nuno Brás, lembrou que “verdadeiramente, não nos encontramos perante a realidade de alguém que desaparece, mas perante o mistério da “passagem”, daquilo que, em português tradicional, se chamava o “passamento”: a passagem de alguém deste mundo para o Pai, e a passagem de Cristo, desta forma tão clara quanto dolorosa, na vida de um homem que já lhe pertencia há muito, desde o dia do seu baptismo e, depois, lhe pertencia também a outro título, como sacerdote e bispo”…As exéquias de um cristão — e, em particular, as de um bispo — mais que o momento de elogio de um morto, são antes a ocasião de nos darmos conta de como, na passagem deste nosso irmão para o Pai, nos vem ao encontro e resplandece o mistério Pascal de Cristo.

O Bispo disse que “diante de nós encontram-se os restos mortais de um cristão, a quem o próprio Senhor confiou o ministério apostólico, fazendo-o bispo, precisamente aqui nesta Sé do Funchal, no dia 13 de janeiro de 1974. Diante de nós encontra-se o corpo humano na sua fragilidade máxima mas, ao mesmo tempo, continuando a proclamar aquela juventude, aquela vida plena que brilhava na sua palavra, nos seus actos, nos seus olhos, sobretudo quando anunciava o Evangelho e celebrava os sacramentos, ou quando partilhava a sua vida de cristão e sucessor dos Apóstolos. Diante de nós encontra-se uma habitação de carne na sua maior fragilidade, mas que proclama, precisamente, a certeza de que uma habitação eterna lhe foi agora oferecida junto do Pai, porque foi desse modo e com esse sentido que, até ao fim, viveu o Senhor D. Maurílio”

“Perante Jesus que morria, o centurião romano exclamou: “verdadeiramente, este homem era Filho de Deus!”. Hoje, aqui, perante o corpo morto deste nosso Bispo, queremos também nós — porque em nós corre igualmente a vida cristã, a vida da fé, que é a vida do baptismo — queremos também nós dizer: verdadeiramente, neste nosso pastor se manifestou a força da vida de Cristo em nós. E com ele, e como o centurião do evangelho, diante deste Cristo que jaz morto diante de nós, queremos também, uma vez mais, proclamar acerca de Jesus: “verdadeiramente, este Homem era Filho de Deus”, refefiu D. Nuno Brás.

O Bispo da Diocese do Funchal sublinhou, ainda, durante a sua homilia, que “quando um cristão nasce para o céu e se torna clara a sua passagem para Deus, como sucedeu agora com o Senhor D. Maurílio, como não ver nesse acontecimento, que permanece com todo o dramatismo humano, o mesmo acontecimento da morte de Jesus? E como não escutar, também aqui nesta catedral, as mesmas palavras do centurião que proclama: “verdadeiramente, este homem era filho de Deus”? A morte baptismal, aquela em que morremos para nós para vivermos para Aquele que por nós morreu e ressuscitou, o mistério Pascal de Jesus faz-se hoje, aqui, diante de nós, bem presente. Mas como não ver, igualmente, nesta presença, a vida de Jesus ressuscitado?