

A ausência de um candidato do PSD-Açores em posição elegível na lista nacional social democrata às eleições europeias e a explicação “pouco convincente” do líder Rui Rio, acabaram por provocar um indisfarçável incómodo na máquina partidária social democrata açoriana, não obstante algum silêncio à volta do assunto antes de qualquer tomada de posição dos orgãos do partido na Região. Que vai acontecer para breve. Como disse Alexandre Gaudêncio, líder do PSD-A, o assunto será “em breve” discutido internamente e nos órgãos regionais do partido.
“Não há qualquer declaração sobre o assunto, para além daquela que o líder do partido já fez”. Foi assim que o assessor de imprensa de Alexandre Gaudêncio abordou a questão colocada pelo Funchal Notícias sobre uma eventual reação do partido depois de Rui Rio ter avançado com o oitavo lugar na lista e do PSD-A ter defendido um lugar elegível, para isso indicando o nome de Mota Amaral, antigo presidente do partido e presidente do Governo Regional. Sem essa garantia, o PSD-Açores preferiu não indicar qualquer nome e, assim, fica sem representante. Fica, é como quem diz, pela perspetiva social democrata dos Açores, uma vez que para o líder nacional, a situação foi pacífica e a explicação foi fácil, considerando que “agora é a vez da Madeira ir em lugar elegível, o sexto, representando as Regiões Ultraperiféricas portuguesas”. E justificando mais, que a candidata do PSD-Madeira, Cláudia Monteiro de Aguiar, que já é eurodeputada e que parte para uma candidatura à reeleição, deveria integrar, no seu gabinete em Bruxelas, pessoas ligadas ao PSD-Açores.
Trata-se de uma situação inédita, uma fórmula nova, que a manter-se esta liderança de Rui Rio, poderá significar que no próximo mandato, será a vez dos Açores terem um candidato em posição elegível, sendo que a Madeira, nessas circunstâncias, ficaria com lugar ou lugares no gabinete do eurodeputado açoriano eleito. Uma “receita” pouco convicente, tanto para os Açores como para a Madeira.
A declaração a que se refere o gabinete de comunicação do partido foi feita à RTP e publicada no site do PSD-Açores, onde podemos constatar um título que não deixa dúvidas relativamente ao estado de espírito do líder social democrata açoriano. “Primeiro os Açores e só depois do partido”.
O texto do site refere que “o presidente do PSD/Açores criticou a direção nacional do partido por não incluir um representante dos Açores em lugar elegível nas próximas eleições europeias, admitindo a “possibilidade de não fazer campanha” no arquipélago. “Defendemos primeiro os interesses dos Açores e só depois os do partido. Como refere a divisa do brasão de armas dos Açores, ‘antes morrer livres que em paz sujeitos’”, sublinhou Alexandre Gaudêncio, à margem do Conselho Nacional do PSD realizado em Coimbra”.
O mesmo texto expresso no espaço oficial online, com base nas declarações do líder à RTP, acrescenta que “para o líder dos social-democratas açorianos, a recusa da direção nacional do PSD em atribuir um lugar elegível aos Açores na lista nacional ao Parlamento Europeu vem “quebrar uma tradição de mais de 30 anos. Dissemos, olhos nos olhos, ao líder do partido e em frente de toda a direção nacional, que, a partir deste momento, irá haver consequências políticas em relação à própria campanha eleitoral das europeias”, disse. Alexandre Gaudêncio adianta que o assunto será “em breve” discutido internamente e nos órgãos regionais do partido. “Lamentamos a forma como fomos tratados [pela direção nacional do partido]. Dissemos sempre que não aceitamos ser tratados como portugueses de segunda”, realçou.
Recorde-se que nos Açores, o PSD não está numa posição de governação como acontece na Madeira. O arquipélago açoriano é governado pelo PS e, por isso, a máquina social democrata não recebeu bem esta posição de Rui Rio, no entender açoriano, de desvalorização do partido e dos Açores no seu todo.
Em matéria de eleições europeias, em 2014, o PSD Açores elegeu Sofia Ribeiro para eurodeputada.
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