Já estão a chegar as missas do parto

O tempo tem passado bem depressa e já estamos quase a chegar à celebração das missas do parto. Todas as igrejas paroquiais irão celebrar nove missas seguidas de 15 a 23 de dezembro ou de 16 a 24 de dezembro. Trata-se da preparação imediata para a festa do Natal e, em certa medida, já a própria celebração do Deus, que sempre vem ao nosso encontro e jamais desiste de nós. Nove missas bem cedo, por volta das 6h da manhã. Bem cedo, para que todos possam participar e, em seguida, ir trabalhar, como manda a tradição.

São missas que têm ganho grande popularidade nos últimos tempos e são muitos aqueles que voltam às igrejas para viver a tradição e preparar a festa do Natal. Trata-se de acompanhar em nove dias, como nove meses, a gravidez de Nossa Senhora e com ela esperar o nascimento do Salvador, Jesus Cristo. Sem as missas do parto, o Natal madeirense seria mais pobre e menos vivido. Com elas, a Igreja encontra uma grande oportunidade de colocar Deus no centro da festa do Natal, no coração dos homens e das mulheres do nosso tempo.

Podia dizer que as missas do parto têm 3 partes. A celebração da missa com os tradicionais cânticos a Nossa Senhora do Parto, onde todos participam, cantam e celebram a fé. Onde Deus nos encontra e mostra o Seu amor. A escuta atenta da Palavra de Deus e do sermão do padre que pretende despertar a vida cristã em todos os corações e procurar, através de uma experiência de encontro com Cristo, na Igreja, a renovação da vida cristã e da sociedade em que vivemos e estamos inseridos.

Segue-se o convívio no adro das igrejas para dizer que a fé não pode ficar fechada no interior das igrejas, mas deve tornar-se gesto, fraternidade, encontro de pessoas. E, finalmente, a terceira parte será o regressar ao trabalho e à vida, aplicando tudo o que foi celebrado e vivido com alegria. Esta terceira parte é, sem dúvida, um grande desafio.

Nada da missa do parto deve ser profano ou pagão, tudo deve ser vivido como uma experiência de encontro com Deus e através d’Ele para a vida, para os outros, para os desafios que fazem parte da nossa existência. O próprio adro torna-se uma escola de convivência, onde devemos aproveitar para aprender que podemos nos divertir sem excessos e sem exageros, mas numa saudável convivência entre todos.

O facto recente de muitos grupos profissionais e grupos de amigos participarem nas missas do parto deverá ser uma boa ocasião para levar o Evangelho às relações humanas e à vida como ela é, em sociedade, no trabalho e na amizade. Trata-se de fazer nascer Jesus no coração de todos e na forma como nos relacionamos não apenas com Deus, mas com a própria vida e com os outros que nos são próximos. Perceber que a fé não pode ficar escondida no íntimo de cada um, mas que ela também deve fazer parte da vida pública, da forma como estamos no trabalho e como nos relacionamos com os colegas e com todos aqueles que diariamente cruzam a nossa vida.

Celebrar as nove missas do parto é uma caminhada exigente de vivência da fé e de sentido de pertença, de caminhada conjunta, de renovação das nossas comunidades cristãs, de ver nascer em nós sentimentos de paz e de fraternidade que nos tornam o berço mais bonito onde irá nascer Jesus, não apenas em nós, mas através de nós para o mundo.