Opinião de Elias Homem de Gouveia: o Mercado dos Lavradores e as marroquinarias

Elias Homem de Gouveia

Ontem o nosso edil, após a reunião semanal de vereação, surpreendeu ao afirmar que “o Mercado dos Lavradores está descaracterizado por culpa do PSD quando deslocou as marroquinarias para dentro do Mercado”.

Se bem se lembra, ou não, pois consta que anda muito esquecido, este tipo de comércio estava sediado na Avenida do Mar, perto de onde se encontra hoje, a estação de teleférico.

Eram umas instalações precárias e degradadas sob uma cobertura de zinco, que além de sobrelotada, não oferecia condições de trabalho como higiene além de constituir um elemento dissonante da cidade que importava resolver com o arranjo do Jardim do Almirante Reis.

A solução então até não foi consensual, mas hoje, não tenho dúvidas que foi ajustada no momento como ajudou de uma forma decisiva a integrar estas comunidades, na sua maioria de etnia cigana e negra, num espaço mais digno, com melhores condições de trabalho e um fator de integração destas na sociedade madeirense.

Em face dos considerandos anteriores, entendo que as declarações proferidas ontem pelo presidente da edilidade são suscetíveis de promover a xenofobia, contrariando todo o trabalho meritório da sua colega de Vereação se tem dedicado na defesa da igualdade de género.

Acho mesmo que os autarcas com responsabilidades executivas devem viajar mundo fora com o objetivo de ver e aprender com outras realidades, bebendo ensinamentos para o seu território; resta-me pensar que suas sucessivas viagens a Londres, talvez a cidade mais inclusiva da Europa, têm sido em vão como objetivo único de participar em festarolas no propósito óbvio da caça ao voto para a eleições que se avizinham.