Marcelo regressa aos bancos da escola para homenagear os 181 anos do “Liceu”

Diz a sabedoria popular que à terceira é de vez. Mas nem sempre é assim na política. Por isso, a anunciada visita do Presidente da República ao “Liceu” concretizou-se hoje, na quarta marcação. O prometido é devido e Marcelo Rebelo de Sousa quis mostrar num espaço que conhece de cor, a escola, que estava praticamente “em casa”.

A comunidade escolar daquele que é o primeiro liceu nacional bem pode dizer que valeu bem a pena a espera. O também professor de carreira voltou aos bancos do primeiro liceu nacional para honrar a história de 181 anos desta reputada instituição do ensino secundário.

À sua espera, outros pares, professores no ativo e outros aposentados, e os eternos discípulos, os alunos, sempre eles, deliciados por estarem lado a lado com o popular e simpático chefe de Estado nacional. Um presidente que os deixa à vontade, sempre pronto para os afetos, de sorriso aberto e o passo certeiro para saudar aqueles que dão alma à Escola Secundária Jaime Moniz.

E foram muitas as selfies tiradas quer mo Largo Jaime Moniz quer na entrada quer nos corredores da escola.

Numa breve troca de palavras com os jornalistas, antes da fotografia da praxe em frente à porta do Liceu, Marcelo Rebelo de Sousa disse que a mensagem que trazia aos alunos é que eles “têm futuro”.

O terceiro regresso

Não foi propriamente uma estreia de Marcelo. Como alto dirigente do PSD, Marcelo Rebelo de Sousa já tinha visitado a Escola Secundária Jaime Moniz para fazer o que de melhor sabe: dar uma aula em forma de palestra sobre temas da atualidade, relacionados com a cidadania participativa. Os anos passaram. O dirigente social-democrata e professor de Direito da Universidade de Lisboa foi, entretanto, “promovido” a presidente de todos os portugueses e, foi nesta qualidade que Marcelo voltou a entrar no “Liceu” para assinalar os mais de 180 anos de uma casa que tantos líderes tem dado ao país.

Uma receção calorosa aguardava o presidente e a sua comitiva, com destaque para a anfitriã, a presidente do conselho executivo da ESJM, Ana Isabel de Freitas, o Representante da República na Madeira, Ireneu Barreto, o presidente da Assembleia Legislativa, Tranquada Gomes, o presidente do Governo Regional, Miguel Albuquerque, e o presidente da Câmara Municipal do Funchal, Paulo Cafôfo. A maioria destes líderes com curriculum feito nos bancos do velhinho “Liceu” Jaime Moniz, o que enche de maior simbolismo o momento.

Por entre os corredores do emblemático edifício da ESJM, Marcelo Rebelo de Sousa dividiu-se entre os afetos, as incontornáveis e disputadas selfies e a escuta atenta das informações deste histórico “Liceu”. A instituição escolar quis assinalar a efeméride com uma placa que celebra a passagem do Presidente na escola, por ocasião dos seus mais de 180 anos, que foi descerrada pelo próprio, no átrio.

Depois, o ex-presidente do conselho executivo, Jorge Moreira de Sousa, apresentou a Marcelo o renovado Núcleo Museológico “Lyceu”, além dos painéis que sumariam décadas de história da vivência escolar da instituição. Momentos de afirmação, de tradição e de inovação de um estabelecimento que investiu em força no ensino secundário.

Na sala de conferências, para alunos, professores e demais convidados, chegou o momento dos discursos.

A presidente do conselho executivo abriu a sessão dando as boas vindas ao presidente e agradecendo a todos aqueles que tornaram possível esta visita histórica que engrandece o “Liceu”.

Ana Isabel Freitas pugnou por uma intervenção que procurou mostrar a Marcelo Rebelo de Sousa que a Escola Secundária Jaime Moniz tem uma preocupação nuclear com a formação de excelência de todos os seus alunos, preparando-os para os desafios de uma sociedade competitiva e exigente.

A presidente conta com o contributo de todos os “atores” da escola para um ensino de qualidade, inclusivamente com a participação ativa dos encarregados de educação, tendo sempre como meta o sucesso dos discentes e colocando grande enfoque nas práticas reflexivas e colaborativas dos docentes.

A paixão educativa de Marcelo

Marcelo Rebelo de Sousa também quis falar ao coração de todos. Primeiro para lamentar os adiamentos da anunciada visita ao “Liceu”, motivados por razões de força maior. Depois, para exaltar o prestígio e o dinamismo da Escola Secundária Jaime Moniz com o seu palmarés histórico de liceu de referência a nível nacional.

No seu estilo direto e afável, e sentindo-se como um professor, Marcelo frisou que a educação é e continuará a ser a principal arma de acesso ao sucesso no mundo complexo que espera os alunos de hoje. Mais do que os números, importa formar o cidadão de amanhã capaz de saber gerir os desafios de uma sociedade que caminha a par com uma tecnologia de ponta, com a competição e com exigências de mercado.

Marcelo Rebelo de Sousa falou também do nome grande que foi Jaime Moniz, pela reforma que fez pelo ensino em Portugal.

Destacou os 91% de alunos do liceu do Funchal que entram no Ensino Superior, em todas as áreas do saber.

Depois alertou para o facto de, ao contrário do seu tempo, já ninguém, hoje em dia, ter “uma profissão para toda a vida”.

Além disso, o mercado de trabalho é hoje global pelo que, o mais importante a ensinar ao alunos é, nesta conjuntura, ser capaz de “resolver problemas” e “decidir”. Outra das faculdades que os tempos modernos exige -ensinou o professor- é “saber comunicar”, “saber localizar no tempo e no espaço” e ter “valores”.

Não há “vocações eternas” e “o curso é um instrumento”, ensinou o professor Marcelo. Porque o desafio “é descomplicar” o complicado mundo sempre em “mudança”.