
A visita do Presidente da República ao Porto Santo ganha contornos ainda mais importantes em função da conjuntura de vivência da ilha, com os correspondentes problemas que se eternizam em nome da dupla insularidade. As comemorações dos 600 anos da Descoberta, ali centralizadas amanhã, quinta-feira, 1 de novembro, com honras de Marcelo, são o mote para outras mensagens direcionadas para Belém e, com o consequente mediatismo, chegar ainda mais longe, para quem tem o dever de observar o Porto Santo de forma mais abrangente do que propriamente um destino de férias de verão.
Sobre os ombros de Idalino Vasconcelos, o presidente da Câmara, impendem responsabilidades no sentido de fazer chegar o pulsar do povo, as dificuldades efetivas de quem é insular duas vezes e que, por via disso, tem nas acessibilidades um problema sério que está difícil de resolver por muito que as entidades venham a público afirmar ou façam chegar, de forma mais ou menos insistente, em momentos de grande representatividade como aquele que amanhã ocorrerá naquela que muitos chamam de “ilha dourada”. Dourada pela praia, cuja beleza corre mundo, mas às vezes sombria pelas vicissitudes do dia a dia.
O líder do município vai lembrar a Marcelo Rebelo de Sousa a resiliência do povo, vai discorrer sobre a História, mas vai, também, ser muito muito atual no seu discurso, cujas especificidades naturalmente não antecipa de forma circunstanciada. Não vai esconder problemas, antes pelo contrário, promete apontar o dedo ao que é nuclear para o desenvolvimento do Porto Santo, o que é nuclear e o que constitui entraves a esse mesmo desenvolvimento, como por exemplo as taxas aeroportuárias, incomportáveis na ótica da Autarquia.
De resto, as acessibilidades são fundamentais. Os transportes, marítimos e aéreos, representam um sério condicionalismo para a ilha, o que não sendo novo, constitui entrave suficiente para que o Porto Santo não tenha a garantia da tal continuidade territorial que os madeirenses tanto reclamam relativamente ao espaço continental. Uma solução nesse domínio seria meio caminho andado para resolver a tão propalada sazonalidade.
Marcelo, sem poderes executivos, mas com um poder de influência enquanto Chefe de Estado, é um foco de esperança para a população, que espera ver refletido o discurso de Idalino numa potencial intervenção futura do Presidente da República, que vá além da visita e do esquecimento assim que o avião descola.
Na intervenção, em dia importante para a ilha, Idalino tem referências ambientais de relevo, sustentadas na Reserva da Biosfera e no projeto Porto Santo Sustentável, como determinantes para o trajeto que se pretende para o futuro do espaço e da população, a residente e a flutuante, proporcionando à ilha diversas valências que permitam conquistar vários nichos de mercado que possam, de alguma forma, sentir atração pela ilha o ano todo.
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