
É uma carta de desespero de quem está numa situação delicada do ponto de vista da Saúde. Um doente oncológico está à espera de um medicamento crucial para o tratamento que lhe foi indicado pelo médico, espera e desespera desde o dia 22 de outubro, altura em que foi informado que esse mesmo medicamento estava esgotado na Farmácia do Hospital. O homem, de 48 anos de idade, não sabe o que fazer.
Desde então, têm sido dias “aflitivos”, como conta na exposição feita ao Funchal Notícias. Um dia de cada vez e adiamentos constantes. E questiona: “Como é que podem dizer que não há falta de medicamentos quando isto acontece?”. Uma realidade que surge num universo de dificuldades que o setor atravessa. Cada caso é um caso, mas nem que seja só um caso, neste contexto específico, faz o “mundo desabar” sobre quem está num sofrimento, primeiro com a doença, e depois com a espera.
Na exposição, o utente do SESARAM revela que é “um doente oncológico a quem foi diagnosticado Melanoma das fossas nasais com uma metástase conhecida. Estou a ser seguido e tratado no serviço de Hemato Oncologia do Hospital Dr. Nélio Mendonça. Devido à minha situação, iniciei em 24 de Setembro um tratamento de imunoterapia com o medicamento chamado Nivolumab. Este medicamento e outros do género são a única esperança para o tratamento deste cancro. Fiz apenas 2 tratamentos e deveria ter feito o terceiro tratamento no dia 22 de Outubro. Nesta data não fiz o tratamento porque fui informado que o medicamento estava esgotado mas que não me preocupasse porque iria fazer no dia seguinte. Até à data de hoje, ainda não fiz o tratamento porque me dizem que o medicamento ainda não chegou à farmácia do hospital. Desde o dia 22 de Outubro tenho sido enganado todos os dias. Telefono todos os dias e todos os dias me dizem que é no dia seguinte que faço o tratamento”.
Pede uma “intervenção de quem de direito”, apela para que “a situação seja resolvida o mais rápido possível e que eu possa fazer os tratamentos com o Nivolumab. Acho que se encontram mais 4 pessoas nesta situação”.
O Funchal Notícias estabeleceu ontem contacto com o gabinete de comunicação da secretaria regional de Saúde, que se disponibilizou de imediato a uma tomada de posição, mas até a agora não obtivemos qualquer esclarecimento sobre este assunto, sendo que a todo o momento poderemos publicar a posição assumida pelo SESARAM sobre este caso, que atendendo à relevância, à sensibilidade e ao interesse público, não poderia aguardar mais tempo pela publicação.
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