Polícias madeirenses aderem a protesto nacional exigindo melhores condições de trabalho e de carreira

Agentes da Polícia de todo o país concentram-se hoje junto aos comandos desta força, e a Madeira não é excepção. Junto ao Comando da PSP-Madeira, estes profissionais fizeram hoje ouvir o seu protesto relativamente às suas condições remuneratórias e de trabalho. Reclamam mais recursos humanos para a PSP e melhores condições nas esquadras, entre outras reivindicações, e não poupam palavras de crítica ao ministro da tutela, Eduardo Cabrita.

O Funchal Notícias foi encontrar no local os associados de pelo menos dois sindicatos da Polícia, o Sindicato de Polícia pela Ordem e pela Liberdade, SPPOL, e o Sindicato Independente Livre da Polícia, SILP.

Na ocasião, o porta-voz da manifestação e dirigente do SPPOL, Eduardo Nóbrega, enumerou toda uma série de motivos de descontentamento dos polícias, entre eles a do estatuto da carreira. Estes profissionais de segurança podem reformar-se a partir dos 60 anos, havendo “listas de espera de colegas que querem ir para a reforma já há três e quatro anos”. Por outro lado, queixam-se de que a sua profissão “não é considerada de desgaste rápido” e de não auferirem subsídio de risco; no capítulo da saúde, apontam grandes lacunas a nível regional, não existindo, afirmam, “médicos quase nenhuns a dar assistência à Polícia”, enquanto “estamos a descontar o triplo do que descontávamos anteriormente”.

Grande parte das queixas têm a ver também com as condições de trabalho. Eduardo Nóbrega apontou o facto de a Polícia de Segurança Pública operar com muitos automóveis que passam o tempo em manutenção, devido a grandes desgastes e quilometragem já acima dos 300 mil km. Estas viaturas, asseveram os sindicalistas, pelas condições em que se encontram “põem em perigo a vida dos agentes”.

Por outro lado, faltam rádios para as comunicações. “O SIRESP, como continua aqui na Madeira, tem má comunicação, má captação”, denuncia Eduardo Nóbrega. Que também aponta uma situação difícil no capítulo dos horários de trabalho. Os polícias são obrigados a trabalhar, afirma, até em dias de folga, quando há grandes eventos. Tudo devido à falta de efectivos.

“Deviam agora vir para a Madeira, nas transferências, pelo menos uns 400 polícias para compensar o défice que temos, mas só foram transferido seis elementos, enquanto para os Açores vão 40”, apontou. Ora, com muitos polícias a irem para a reforma, com outros que entretanto “faleceram”, outros que estão impedidos de trabalhar na rua devido a problemas de doença, a situação é problemática.

“Andamos aqui nisto, parece que andamos a dormir… O cidadão merece um serviço de qualidade (…) Já passaram dois ministros [da Administração Interna] e nada fizeram pela Polícia”, acusou. “A PSP continua na mesma. Devíamos ter, na Madeira, à volta de mil efectivos, e temos cerca de 800. Isto é muito mau”.

Por isso, os polícias resolveram vir para a rua reivindicar o seus direitos. “Se querem ter uma polícia activa, em condições, para prestar serviço à população, têm que nos dar condições”, reclamou. “Andamos muitos de nós a trabalhar por amor à camisola, com grande sacrifício nosso, a tirar horas à família e aos amigos”.

Eduardo Nóbrega diz que “assim não dá”. As esquadras também têm muito más condições na Madeira, apontou. Entre elas, apontou a de Machico; a do Porto Santo, onde, garantiu, proliferam “ratos e baratas”.

Na Ponta de Sol, acrescentou, “foi preciso chegar a uma situação em que uma derrocada estava iminente, para mudarem a esquadra”. Santa Cruz, por outro lado, “tem uma esquadra péssima”.

“Querem acabar com a Polícia?”, interrogou. “Os polícias não merecem estar a trabalhar por 700 euros, e a andar a levar com isto, quando o ordenado mínimo nacional é de 575 euros, e as pessoas não trabalham domingos, nem noites… Isto é degradante para os polícias e para os próprios cidadãos”.

Os sindicalistas alertam o ministro Eduardo Cabrita para que “reveja a situação o mais rápido possível”, porque os elementos policiais “já estão com o rastilho mesmo curto”. Até parece, insinuou, que “o Estado está à espera que a Polícia se revolte”.