Enfermeiros prometem luta, quinta-feira é o “dia D” e podem ir para a greve já em outubro

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Enfermeiros podem ir para nova greve em outubro.

Os enfermeiros não vão parar. Prometem luta e estão cada vez mais unidos em termos de estruturas sindicais que se juntam, nas reivindicações, mas também, agora, na perspetiva de paralisação apontada para os dias 10, 11, 17, 18 e 19 de outubro. Quinta-feira, dia 4, os quatro sindicatos mais representativos do setor, o SINDEPOR, SEP, SERAM e ASPE, convidaram as associações representativas de enfermagem, 32, para debate sobre a apresentação de propostas de luta e apreciação de contributos e sugestões.

O debate é na sede nacional da UGT, em Lisboa, pelas 14.30 horas. Depois disso, há conferência de imprensa para anunciar o que foi decidido. Tanto pode ser a solução à vista, se o Governo de Costa mostrar abertura que não teve até ao momento, como pode ser a paralisação pura e dura como medida de força face ao que consideram ser uma questão de justiça que não está a ser reposta pelo Executivo. O Governo da República prometeu e não cumpriu. Os profissionais intensificam a reação. É neste patamar que está a “dialética” Governo/Enfermeiros.

Os profissionais querem a dignificação da classe “e o fim da discriminação de que somos alvo em relação às restantes carreiras com grau de licenciatura da Função Pública”, refere uma nota assinada pelo presidente do Sindepor, a propósito desta iniciativa que, quase por certo, levará a uma forma de luta mais radical.

Madeira empenhada na luta

“Muito importante” é como classifica Juan Carvalho, o presidente do Sindicato dos Enfermeiros da Madeira. A luta é nacional, a carreira é nacional, a greve é nacional, logo os profissionais da Madeira estão empenhados nesse enquadramento reivindicativo. “o que está em causa é um compromisso assumido pelo Ministério da Saúde, em outubro de 2017, no sentido de rever a carreira de enfermagem em 2018, incluindo a grelha salarial, bem como fixar, no vencimento, o suplemento remuneratório que tinha sido atribuído aos enfermeiros especialistas a título transitório. Em março deste ano, iniciou-se um processo de negociações, mas em setembro, o Governo apresentou uma proposta que nada teve a ver com o que tinha prometido, avançando com a permanência do suplemento nas atuais condições e não na base salarial. Por outro lado, tinha assumido rever a grelha salarial, de forma a enquadrar os descongelamentos e ver como é que reposicionava os enfermeiros depois de estarem mais de uma década sem aumentos remuneratórios. O que faz, agora, é apresentar uma grelha que nada tem a ver com os compromissos assumidos há um ano”.

Quinta-feira Dia “D”

Face a este contexto de incumprimento, os sindicatos não perderam tempo e desenvolvem, desde já, as estratégias tendentes a uma resposta mais acentuada. Se nada for resolvido, diz Juan Carvalho, os enfermeiros vão mesmo para “outras formas de luta”. Por isso, classifica de “muito importante” a reunião de quinta-feira, em Lisboa. Podemos dizer que, nesta fase da negociação, é o chamado “dia D”. “Se o Governo demonstrar abertura para negociar, o conjunto de matérias em avaliação, vejamos o que resulta disso. Se não demonstrar essa abertura, o caminho será a greve anunciada, de âmbito nacional, incluindo a participação do Sindicatos dos Enfermeiros da Madeira, que se encontra na plataforma nacional”.