Deputados continuam a “malhar em ferro frio” com o presidente da TAP

Fotos LR

A audição do CEO da TAP, Antonoaldo Neves, na Comissão Eventual de Inquérito sobre a Política de Gestão da TAP, que decorre esta tarde na Assembleia Legislativa Regional, poderia resumir-se a um adágio bastante popular: malhar em ferro frio. O presidente da transportadora aérea nacional insiste que a TAP é uma companhia privada, que tem de reger-se pelas regras de mercado, que entende a responsabilidade que tem para com a Madeira, mas que não pode fazer nenhuma discriminação, nem positiva nem negativa, para com o mercado insular. “Isso é ilegal”, referiu, e, se a TAP agisse de outra maneira, sujeitar-se-ia mesmo a ser alvo de queixas de concorrência desleal junto das instâncias europeias.

Contra as queixas de mau serviço que lhe têm sido colocadas pelos deputados, principalmente os do PSD, o presidente da TAP vai contrapondo que, desde a privatização, a TAP já consubstanciou em serviço para a Madeira mais de 200 mil lugares, o que “o deixa dormir tranquilo”, sabendo que a companhia “está a contribuir para o desenvolvimento da Madeira” e dos seus “cidadões” [sic].

Aliás, considerou que os mesmos “cidadões” portugueses deveriam estar orgulhosos da recuperação que a TAP teve através da privatização, pois, com a recompra, a TAPO conseguiu negociar um passivo bancário enorme, e é hoje uma empresa capaz de efectuar já cerca de três mil contratações. “A TAP é hoje uma empresa de futuro e aumentou brutalmente o serviço para as regiões”, referiu Antonoaldo Neves.

Porém, o presidente da TAP considera que a companhia não está obrigada à prestação de um serviço público propriamente dito. Está apostada, afirmou, em proporcionar para a Madeira mais pontualidade, mais lugares… mas não um serviço público tal como os madeirenses o entendem.

Opinião que levou a bancada social-democrata, através do seu deputado João Paulo Marques e outros, retrucarem: “A mim venderam-me a ideia de que a recompra da TAP seria uma maneira de assegurar o serviço público. Afinal, está a dizer-me que a TAP pode cancelar rotas quando quiser, não está obrigada a nenhum serviço público para com a Madeira… Está a desmentir o primeiro-ministro?”, questionou João Paulo Marques, mas Antonoaldo recusou-se a responder. “Eu não posso responder segundo lógicas políticas”, alegou.

Entretanto, os jornalistas tiveram de abandonar a sala, a pedido, mais uma vez, para o presidente da TAP responder sobre perguntas que, entendeu, tocaram em aspectos confidenciais da companhia; e após isto ter acontecido pela segunda vez, lá foi admitindo que a TAP precisa de melhorar aspectos do seu atendimento, quando questionado pelo deputado socialista Jaime Leandro. Por entre questões colocadas por Lino Abreu (CDS) quanto às múltiplas dificuldades enfrentadas pelos estudantes da Madeira que estudam em universidades do continente, e as questões colocadas pelo PSD, o interpelado foi considerando que o que é preciso é encontrar melhores mecanismos de apoio financeiro social aos viajantes, e que a TAP não pode actuar fora da lógica de mercado por que operam todas as empresas privadas.