CMF e Governo Regional não dão exemplo de preservação do património nos seus principais edifícios

*Com Rui Marote
O estado das fachadas de alguns dos mais emblemáticos edifícios públicos do Funchal começam a dar sinais de poucos tratos condignos. Câmara Municipal do Funchal e Governo Regional estão aqui na mesma situação. Um olhar atento quer aos Paços do Concelho do Funchal, quer ao edifício governamental situado na Avenida Arriaga (e Av. Zarco) mostram deficiências que resultam da lenta degradação das janelas dos mesmos, associada a uma deficiente manutenção. É verdade que pouco a pouco, vão escasseando as pessoas que sabem como consertar janelas assim antigas, mas isso não pode servir de desculpa para não se manter um pouco do que também é o nosso património. Muito menos para justificar a falta de cuidado na instalação de fios eléctricos que, actualmente, se apresentam como autênticas teias de aranha em estruturas nobres como o edifício do Governo.
As venezianas ainda preservadas
A questão que se coloca é como se pode exigir dos cidadãos particulares, mesmo com medidas de incentivo, que mantenham impecáveis as fachadas dos seus prédios antigos, quando nem a CMF nem o Governo Regional dão o exemplo.
As venezianas das janelas da Câmara Municipal do Funchal, bem bonitas, por sinal, têm-se preservado do lado que dá para a Praça do Município. Já o mesmo não se pode dizer das traseiras, onde foram lentamente se degradando e sendo retiradas, como pode ver-se das imagens captadas pelo repórter fotográfico do FN.

O edifício que alberga hoje a CMF foi mandado construir em 1758, pelo Conde de Carvalhal, para servir como sua residência até 1883. Passou depois por vários inquilinos. Já em 1868, foi alugado pela CMF para servir como Paços do Concelho. Em 1883, a autarquia instalou-se definitivamente ali.
Entretanto, nos anos 40 do século passado, o então presidente Fernão de Ornelas remodelou o edifício.
Os salões encontram-se decorados num estilo revivalista e barroco datado dessa época. É exemplo disso o Salão Nobre, que apresenta quadros dos últimos reis portugueses e a “Alegoria das 7 Profissões”, obra executada pelo madeirense  Alfredo Miguéis, que executou também a pintura do tecto.
O lado da Praça do Município está muito melhor
No exterior do prédio, na fachada do lado nascente todas as janelas encontram-se presentemente despidas, desaparecendo as venezianas, em estilo próprio da época e que persistem ainda em alguns edifícios da baixa do Funchal.
Já o lado sul apresenta também esse mesmo estado. Resta somente da traça original, a fachada central para a Praça do Município e o lado norte. Por este andar, não demorará muito até ao desaparecimento total das ditas venezianas.

Mas o Governo não fica atrás no Palácio do Governo, ex-Junta Geral do Distrito na Avenida Zarco. Construído no final do século XVII para a Misericórdia e Hospital da urbe, onde funcionou a Escola Médica do Funchal, em 1931,com a construção do Hospital dos Marmeleiros, os pacientes foram transferidos e, dois anos mais tarde, o complexo foi cedido aos serviços da Junta Geral.
Hoje o prédio é ocupado por algumas secretarias e serviços governamentais, incluindo a Vice-Presidência. Prerserva ainda elementos interessantes ,como a azulejaria setecentista.

Porém, o seu exterior apresenta uma degradação nas janelas e sacadas com uma teia de fios que faz lembrar o emaranhado dos postes de iluminação pública, tipo arraial ou estendal de roupa. Por outro lado, as colgaduras que se exibem em dias festivos nos varandins das sacadas, com armas da Região há muito deixaram de ter cor, sendo um mau cartaz…

Para ilustrar o interesse que os visitantes da Madeira mostram por muitos destes prédios, apresentamos ainda algumas fachadas de edifícios da Rua da Carreira, muito procurados e fotografados por turistas, apesar do seu mau estado. Se fotografam estes insistentemente, sem dúvida não deixarão de reparar nos edifícios oficiais…

Na Rua da Carreira, estes são alguns dos edifícios mais fotografados.