Buganvílias e cachos de banana desapareceram da Praça do Povo

Bananeiras desapoarecen
Desapareceram os cachos de banana da Praça do Povo. Foto Rui Marote
Bananeiras Praça do Povo
Não dá tempo a amadurecer as bananas. Foto Rui Marote

É verdade que endurecer o discurso tem as suas vantagens, manter o contencioso, seja do que for, também, em determinadas circunstâncias. Até é bom, sobretudo para o nosso ego, também em momentos “cirúrgicos”, dizermos que somos um Povo Superior, como se fosse suficiente dizê-lo para passarmos a sê-lo. Mas, também, no dia seguinte ninguém se lembra disso e, como diz popularmente, mesmo que nem sempre com a validade correspondente, “mais vale ser Rei por um dia do que Príncipe toda a vida”. Outros dirão para é melhor ser um Príncipe verdadeiro do que um Rei falso. Enfim, há de tudo e há que aceitar as opiniões.

Mas vem isto a propósito precisamente da grandeza de um povo, que se vê, também, e sobretudo, pela dimensão do civismo que demonstra no dia dia. E aqui, vamos ser sinceros, às vezes até mete dó, dá vergonha mesmo. Primeiro, foi a segurelha que desapareceu há muito tempo da Praça do Povo, o alecrim que ia no mesmo caminho mas ainda se mantém, para não falar de tudo o resto que foi plantado, e bem, naquele espaço da cidade, visando precisamente transmitir um cunho regional, para quem nos visita, mas também para todos nós, madeirenses, disfrutarmos doa aromas nos passeios de todos os dias, de todas as horas. Mas não, em vez disso, de haver orgulho no que foi ali plantado, com um objetivo definido, e que se queria e quer preservado, o caminho foi destruir e bom destruir. Lá foi o civismo às malvas e toca a seguir em frente. Porque amanhã, seremos superiores outra vez.

Agora, outros episódios aconteceram, parece impossível mas é verdade.  As buganvílias que os Portos da Madeira plantaram recentemente nestes jardins da Praça do Povo, pura e simplesmente desapareceram. Algumas bananeiras apareceram sem cachos. E algumas resistem, mas pelos vistos não deve ser por muito tempo, com o civismo, a falta dele mais propriamente, que por aí vai.

É preciso tratarmos da manutenção, da preservação dos jardins, o que é tarefa de quem tem a responsabilidade de gestão do espaço (tantas vezes houve críticas, fundadas, de algum desleixo relativamente aquela zona nova da cidade). Mas é preciso tratarmos, também, da Educação, do civismo, no fundo daquilo que nem o dinheiro nem o cimento dão.

Só depois do civismo é que podemos aspirar à tal superioridade de um povo. Assim, seremos um povo “superiormente inferior”.