Junta em “versão moderada”, aceita decisão da Câmara e quer chamar gente à Festa do Monte

Idalina Silva
“Se a Câmara do Funchal considerasse que não existiam condições, certamente que o arraial não acontecia, especialmente no Largo da Fonte”.

O Monte prepara-se para o arraial, para a véspera e para o dia. A véspera, já esta terça-feira, é o momento forte de mobilização de visitantes. Era a maior festa da Madeira. Era, até ao 15 de agosto de 2017. É inevitável recordar. É inevitável sentir, é inevitável que o arraial possa não ser vivido, na sua plenitude. Pelo menos no Largo da Fonte, não. A festa tem tendência a “fugir” dali.

Idalina Silva, a presidente da Junta de Freguesia local apela à mobilização de visitantes pede que venham nestes dias à freguesia, mesmo consciente da dor que ainda está muito fresca na mente das pessoas e do mal que isso fez e por tudo o que desde então foi acontecendo. Diz que “o arraial vai até às Babosas, estende-se por uma área muito grande e por isso as pessoas podem vir ao Monte sem que, com isso, deixem de homenagear as vítimas de 2017”.

Monte descida para a Fonte
A presidente da Junta acredita que o Monte será mais forte em 2019.

A responsável por aquele orgão local prefere um discurso mais mobilizador do que acusatório, ressalvando que “são estas as condições que existem e são com elas que vamos fazer o arraial”. Diz mais: “Se a Câmara do Funchal considerasse que não existiam condições, certamente que o arraial não acontecia, especialmente no Largo da Fonte”, considerando que as devidas adaptações ao espaço, como seja, por exemplo, a inexistência da animação que houve em anos anteriores, poderá dar algumas garantias.

Durante o período das novenas, que terminou esta segunda-feira com a Novena da Boa Fé, Idalina Silva admite que possa ter havido menor afluência, mas na parte religiosa diz que “houve mais mobilização, houve mais gente nas missas, o que é importante e revelador da necessidade que as pessoas sentem do Monte religioso”. Quanto à parte de festa propriamente dita, afirma que tem encontrado de tudo, “de pessoas que não vão ao arraial e são mesmo contra a realização da Festa, porque ainda estão na dor da perda de um familiar ou amigo ou mesmo porque defendiam que não deveriam existir festejos, por uma questão de respeito”. Por outro lado, “há pessoas que, sendo solidárias com as que perderam familiares, acham que a vida continua e que é importante fazer a festa sempre no respeito e homenagem às vítimas e famílias”.

Idalina Silva diz que “este é como se fosse um ano zero”, acreditando que para 2019, em articulação com a Câmara, “poderemos realizar um arraial mais forte e mais seguro”, acredita. Lamenta, também, que tenha lutado, “junto com a população, para ter a Festa do Monte como um grande evento, num mês de agosto onde existem grandes festas pela Madeira e com grandes cartazes. Não queremos que a Festa do Monte fique para trás. Infelizmente aconteceu a tragédia, mas sem esquecer quem faleceu, é importante voltarmos a ter que tinhamos, o maior arraial da Madeira”.


Descubra mais sobre Funchal Notícias

Assine para receber nossas notícias mais recentes por e-mail.