Uma “dor de morte” expressa em flores e um cartaz à vista do arraial do Monte

Cartaz arraial
Um pequeno cartaz e flores, no Largo da Fonte. Uma homenagem de quem sofreu a perda do marido no 15 de agosto de 2017.

Com o aproximar do dia 15 de agosto, as memórias que nunca vão desaparecer, daquele momento trágico no Largo da Fonte, exteriorizam-se de forma mais acentuada. Ali, a vida faz-se, hoje, entre a recordação e a homenagem às vítimas e famílias destroçadas pela morte, e a tentativa de “empurrar” a vida para a frente, como a vida nos ensina a levar em cicunstâncias similares de desaparecimento de pessoas que nos são próximas.

Enquanto se fala do arraial, de mais gente ou menos gente, dos receios de segurança, da importância de tornar o Largo da Fonte o mais natural possível, por entre a impossibilidade de isso acontecer, vem a dor de quem perdeu, dor de quem, um ano depois dos trágicos acontecimentos da queda da árvore, vai ali como lugar de recato, não de festa, de silêncio, não de animação, olhando à volta com a natural revolta interior de perda, não compaginável com um olhar em redor, que é de ganho sob as mais distintas formas, sem com isso significar menor respeito pela pelas vidas que se perderam naquele fatídico 15 de agosto de 2017.

Foi isso que aconteceu durante as festas correspondentes à novena da Boa Vontade. Ali mesmo, no Largo da Fonte, junto a uma árvore, como relatam vários presentes. Uma mulher colocou flores e um cartaz onde expressa o luto, a dor, pela perda do marido naquele 15 de agosto, faz quarta-feira um ano. Foi um protesto, à sua maneira, provocando alguma controvérsia relativamente à animação que era visível naquele espaço. Pediu respeito pelas mortes, naturalmente falar em festa é a última coisa que quer ouvir. E ver.

A coexistência da dor com um quadro de arraial é, hoje, uma sombra que cai sobre o Largo da Fonte.