Pó, pó, pó / ai, ai, ai / pó, pó, pó / de lombinha tudo vai!

 

A palavra “lomba” surge dicionarizada como sinónimo de “pequena elevação de terreno ou faixa com relevo, feita ou colocada numa estrada, para provocar abrandamento na velocidade de veículos”.

Na dita definição deve colocar-se a negrito o adjetivo “pequena”, muito simplesmente porque no caso em apreço a definição, igualmente dicionarizada, está muito mais próxima de “cumeada de um monte ou outeiro”, como mais adiante se verá. Falamos, mais especificamente, das “lombas”, também conhecidas como “polícias deitados”, que encontramos, a cada passo nas nossas estradas, em alguns casos desnecessárias, em excesso, ou com dimensões desajustadas ao propósito para que foram criadas. Conforme alerta Miguel Andrade no blogue Petição Radares, e citamos, “Ao contrário do que muitas pessoas bem-intencionadas julgam, as lombas ditas redutoras de velocidade levantam uma série de problemas. Por alguma razão países que as implementaram antes de nós já compreenderam isso e procederam à sua remoção depois de terem verificado, entre outras desvantagens, que as lombas estão por vezes na origem dos próprios acidentes além de contribuírem para um aumento do consumo  de combustível e, portanto, da poluição.

Além disso, as mesmas originam: poluição sonora a qualquer hora do dia ou da noite particularmente sentidas se as lombas forem instaladas junto a residências, condenando e penalizando o inocente em lugar do infrator; desgaste e danos em viaturas, como por exemplo o sistema de direção que poderá vir a estar na origem de um acidente ou contribuir para ele; vibrações provocadas pela passagem de viaturas pesadas, afetando as construções; desvalorização comercial dos imóveis situados nas proximidades; acidentes provocados pelas próprias lombas devido ao efeito de hidroplanagem ou à mudança súbita de velocidade de alguns condutores quando se apercebem da sua presença; sofrimento causado aos sinistrados transportados em ambulâncias, por exemplo nos casos de lesões na coluna ou no transporte de grávidas; atrasos na marcha de viaturas de socorro (polícia, bombeiros, ambulâncias, etc.); rampas para “cavalinhos” para algumas motas e moto4, podendo originar acidentes.

São estas lombas que impedem um veículo desgovernado, em que o condutor não consegue ou não pode controlar a sua viatura, de atropelar um peão, mesmo que este se encontre numa passadeira, no passeio ou no meio da estrada? Após a passagem da passadeira, uma viatura rapidamente consegue readquirir uma velocidade elevada. Se o objetivo é proteger os peões numa grande extensão, devido à inexistência de passeios, então, por absurdo, teriam de as colocar de 10 em 10 metros. Entre outras coisas, também não foram feitas para substituir passeios.
Acontecem atropelamentos em passadeiras mal sinalizadas e com pouca visibilidade para peões e condutores, mas alguns responsáveis pela colocação destas lombas ignoram estes fatores e espalham-nas como se fossem uma panaceia.
A prevenção deveria começar pela educação e pela colocação de passadeiras bem sinalizadas em locais com boa visibilidade para condutores e peões.
Atropelamentos, acidentes, excessos de velocidade, vias estreitas, mal iluminadas, locais perigosos acontecem e existem um pouco por todo o lado. A solução é colocar lombas em todos os locais? Só em alguns? Com que critério? Gostaria de ter uma lomba destas à porta de sua casa a dois ou três metros de distância e deixar de ter sossego a qualquer hora do dia ou da noite? Não creio que gostasse, mas alguns dos que as mandam colocar são insensíveis a isso. O tão apregoado ar puro e sossego não são para todos, e as lombas lá vão sendo instaladas a pedido. Quem se responsabiliza pelos danos causados pelas Lombas Redutoras de “Velocidade”?

Perante tudo isto, deixo um desafio às autoridades responsáveis: Quantas vezes um veículo tem de passar nestas lombas até perder a pressão de ar nos pneus, deixando de circular em segurança? Mandar colocar lombas não requer grande inteligência, mas urge encontrar soluções alternativas, tais como rotundas, sinalização luminosa ou “chicanes”, como se fez nas corridas de velocidade. Dá mais trabalho mas é mais eficaz. Recorde-se que quatro crianças foram atropeladas em março de 2008, quando atravessavam uma passadeira “protegida” por uma destas lombas na região do Porto.

Não consigo compreender é que, apesar de este ser um assunto tão sério e nos afetar a todos, continue sem legislação.”

Da minha parte, subscrevo na íntegra a chamada de atenção de Miguel Andrade, colocando, porém, algumas dúvidas que me ocorrem a este propósito. Será que, ao invés de as ditas lombas cumprirem o nobre papel para que foram criadas, mais não servem que para dar trabalho acrescido a fisioterapeutas, ortopedistas, massagistas, funerárias ou mesmo para os que sofrem de vertigens usufruírem de uma simulação de montanhas-russas? Tomemos como exemplo a Avenida das Madalenas, mais especificamente a zona comercial e, em particular, a Florista. A ajudar ao sentido de “orientação”, não vá correr o risco de perder-se, há que simplesmente proceder à contagem do número de lombas, a saber: sentido ascendente (quatro lombinhas), sentido descendente (duas apenas), sem necessidade de modernices como o GPS.

As lombonas de borracha, por exemplo, parecem ideais para períodos de invernia, uma vez que presumivelmente proporcionarão divertidíssimos despistes, com ciclistas, motociclistas e peões de arrastões, além de onerosos montes de chapa-batida, o que muito contribuirá para aumentos significativos dos lucros de seguradoras, oficinas de pintura, bate-chapas e comércio de acessórios, como sejam: pneus, amortecedores, suspensões encarquilhadas, entre outras “mais-valias”. Ainda aqui vamos, mas há já quem vaticine, meio a gracejar, meio a sério, que as lombonas podem inclusivamente fazer perigar a continuidade geracional e respetivas taxas de natalidade por via do Espermicídio derivado dos impactos na genitália masculina. É pôr-se a pau e usar protetores de hóquei em patins, não vá o diabo tecê-las e dar cabo de casamentos.

Acresce, ainda, que não há melhor forma de despertar passageiros sonolentos e a cabecear do que uma matinal viagem de autocarro, sendo que as ditas lombas, lombinhas e lombonas em muito contribuirão para que os utentes, através dos pulos, pulinhos e pulões, além de overdoses de adrenalina, reconheçam, por habituação, onde saltar na paragem correspondente, orientando-se pela sensibilidade aos solavancos. Em tempos, um grande exemplo de profilaxia foi a criação da vacina que fez com que o sistema imunitário reconheça os elementos externos que podem atingi-lo e, assim, desencadeiam uma reação de defesa. Outro grande exemplo, mais atual, mas igualmente profilático, foi a criação da lomba, estimulando as caminhadas a pé para o trabalho e, outrossim, a prática de um “stepzinho” de regresso a casa. Afinal, não foi tudo mal pensado. Quem sabe, sabe.