Achei oportuno, numa altura em que muitos de nós entram de férias, e, portanto, interrompem o frenesim próprio do tempo de trabalho, deixar à reflexão do leitor, sob a forma de pergunta, algumas questões que a todos diz respeito.
Desta feita, os incêndios, acentuados com o aquecimento global, bateram à porta de parceiros nossos, na União Europeia, como é o caso da Suécia e da Grécia.
Num gesto que só nos fica bem, Portugal fez deslocar para aqueles países meios aéreos e humanos, de elevados custos perfeitamente justificados pela solidariedade que, nestas ocasiões, é devida.
Cabe, porém, perguntar onde para a solidariedade nacional relativamente aos trinta milhões e meio que o Governo da República prometeu, há dois anos, para a ajuda das vítimas dos graves incêndios que ocorreram na Região?
Temos assistido, nos últimos tempos, à evidenciada preocupação do Senhor Primeiro Ministro e Secretário-Geral do Partido Socialista, no sentido de interferir – confirmando a sua visão centralista, institucional e partidária – na escolha do futuro responsável máximo do Governo da Região.
Importa, pois, perguntar aos madeirenses e porto-santenses se estão dispostos a voltar ao tempo da nomeação do Governador, por Lisboa, com total subordinação colonial à República?
Se estão dispostos a deixar espezinhar a autonomia e a livre escolha dos que, não se subordinando ao poder central, melhor nos defendem?
Como Região Insular que somos assumem particular importância as nossas ligações com o exterior, quer em termos gerais dos interesses de cada cidadão, quer pela relevância que os transportes, em especial o aéreo, têm para o turismo.
Cabe, pois, perguntar que interesse defende o Partido Socialista, quando vota contra, na Assembleia da República, relativamente a uma providência que visava repor a justiça no subsídio de mobilidade e nos custos das passagens aéreas entre a Região e o Continente?
Tenho ainda duas últimas perguntas para formular, as quais, pela sua natureza, se diferenciam profundamente.
A primeira diz respeito ao encontro que o Presidente Marcelo teve em Washington com o Presidente Trump, altura em que nos deu a honra de presidir a um evento na Embaixada de Portugal – Taste Madeira – de promoção da Região integrado nas Comemorações dos 600 anos do descobrimento da Madeira e do Porto Santo.
Aperceberam-se que no encontro dos dois Chefes de Estado a Região esteve marcadamente presente, na invocação da circunstância da Independência dos Estados Unidos ter sido saudada com um brinde de vinho Madeira, e na referência feita a esse jovem madeirense que é a figura mediaticamente mais conhecida e mais popular do planeta – Cristiano Ronaldo?
Finalmente cumpre-me perguntar onde para o Bloco de Esquerda, partido anti sistema que, de forma exacerbada, condenava, e bem, a corrupção e criticava, ferozmente, a especulação imobiliária com que o capitalismo explorador pactuava?
O que de mais hediondo e aviltante pode haver na política é o cinismo de apregoar publicamente valores e princípios e ter uma prática de vida absolutamente oposta e escandalosamente violadora de tais princípios.
Embora tarde de mais Ricardo Robles apresentou a sua demissão de Vereador da Câmara Municipal de Lisboa e dos cargos que ocupava no Bloco de Esquerda.
De uma penada, tentou recuperar a dignidade perdida e puxou o tapete a Catarina Martins, que considerara correcto e normal o seu procedimento.
Cabe perguntar o que espera aquela dirigente do Bloco de Esquerda para se retratar publicamente e demitir-se das funções partidárias e políticas que desempenha?
Estas as perguntas de verão!
Quanto às respostas, depois veremos!?
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