Monumento a Mandela inaugurado na Avenida do Mar com altas individualidades da RAM e da África do Sul

*Com Rui Marote

O antigo presidente sul-africano Nelson Mandela é uma inspiração para aqueles que pugnam por uma sociedade democrática, considerou hoje Miguel Albuquerque, na inauguração de um memorial a esta grande figura do século XX, hoje na Avenida do Mar.

A ocasião contou ainda com a presença do antigo premier do Free State, Ace Magashule, actual secretário-geral do Congresso Nacional Africano (ANC, o partido de Mandela) da embaixadora da África do Sul em Portugal, Mmamokwena Gaoretelelwele, entre outras personalidades ligadas àquele país, e das mais altas entidades da Região. Ficou, contudo, marcada pela aparente ausência de representantes da Câmara Municipal do Funchal, e dos partidos com assento na Assembleia Legislativa da Madeira. Quem marcou presença na ocasião foi Alberto João Jardim, antigo presidente do Governo da Madeira.

Falando no momento, Miguel Albuquerque começou por agradecer aos alunos e professores da Escola dos Louros, bem como à directora daquele estabelecimento de ensino, por terem projectado e criado “este magnífico monumento”. Também congratulou a Banda Recreio Camponês pela execução dos hinos, nomeadamente da África do Sul, de Portugal e da Região, acompanhados por um coro formado por estudantes sul-africanos a estagiar na RAM.

Albuquerque disse que a África do Sul está intrinsecamente ligada ao coração de milhares de madeirenses, que nela encontraram a sua segunda pátria. Considerando que Nelson Mandela foi um um homem e um líder excepcional, entende que foi também um exemplo para o mundo, sendo “nosso dever homenageá-lo” no centenário do seu nascimento.

“Nelson Mandela ensinou-nos que certos princípios são verdadeiramente universais. Depois de longos anos de prisão (…) continuou a dizer, pedagogicamente, mas com grande convicção, que os negros, os brancos, os asiáticos, os latino-americanos, as mulheres, os homens, os heterossexuais, os homossexuais, todos nós, somos seres humanos. Que as nossas diferenças são superficiais., e que devemos tratar-nos uns aos outros com atenção, afectividade e respeito”, disse o chefe do Executivo madeirense.

Por outro lado, realçou que Mandela, pelo seu exemplo, e pelo que escreveu e disse, “recordou-nos também que a democracia não consiste apenas na realização de eleições livres. É muito mais do que isso. Exige uma cultura cívica de coexistência pacífica, de respeito pelos direitos, liberdades e garantias, hoje tão ameaçados, de respeito pela separação de poderes, e pela defesa da verdade e objectividade, hoje também tão postos em causa. E ainda, pela defesa do dever de sermos informados com pluralismo e liberdade. A democracia por vezes pode parecer caótica, mas é indiscutivelmente o melhor regime (…)”.

Albuquerque disse ainda que, pelo exemplo da sua vida, pela sua luta, pela sua determinação e da sua coragem, que se acreditarmos na liberdade e na democracia, temos de lutar diariamente por estes valores.

Palavras que foram secundadas por Ace Magashule, que não poupou também elogios ao recordar a personalidade notável de Nelson Mandela.