Momentos de grande qualidade jazzística no Parque de Santa Catarina

Fotos: Rui Marote

O sexteto do pianista Vijay Yier iniciou ontem a segunda noite do festival Funchal Jazz, embalando o público na suavidade virtuosística de um grupo que não deixou os seus pergaminhos por mãos alheias, mostrando que por alguma razão foi considerado o melhor do ano pelos críticos do Jazz Times e de outras publicações ou instituições, como a Associação de Jornalistas de Jazz (EUA).

Quanto ao próprio Vijay, foi considerado ele mesmo músico do ano por outras tantas publicações dedicadas ao jazz. Vijay é professor de música em Harvard e, curiosamente, tem também graduações em áreas científicas, como a Física e a Matemática. A sua música, embora certamente emocional e aberta à improvisação, regista também a marca de um compositor que aprendeu piano desde a infância praticamente sozinho e que tem também desenvolvido trabalhos no âmbito da cognição musical, ao nível académico.

Para Vijay Yier, um homem multifacetado, o acto de pensar entrecruza-se com o de sentir e de interpretar, sem qualquer separação inultrapassável entre a razão e a lógica, e o domínio do sensorial e da imaginação. A sua universalidade, digna de um homem da Renascença, expressa-se também nas suas múltiplas colaborações no domínio da música, que são tão eclécticas que vão desde o jazz ao hip-hop e e abrangem até Dj’s e intérpretes de música electrónica ou experimental.

A este mais jovem e multifacetado intérprete, que actuou acompanhado de excelentes músicos (Graham Haynes, trompete), Steve Lehman, saxofone alto, Mark Shim, saxofone tenor, Stephen Crump, contrabaixo, e Jeremy Dutton, bateria), seguiu-se um senhor do jazz que já tocou com muitos e respeitáveis nomes, o baterista Billy Hart.

Aos 76 anos, conta no seu currículo com colaborações, ao vivo e em estúdio, com ícones como Miles Davis, Herbie Hancock, Stan Getz, Wayne Shorter ou McCoy Tyner, só para citar alguns. Com o saxofonista Joshua Redman como convidado de destaque, levou momentos inesquecíveis ao convívio do público. Aliás, aos apreciadores do saxofone não faltaram ontem momentos de regozijo, que se iniciaram no primeiro concerto e prosseguiram no segundo. Por seu turno, a Billy Hart ninguém ensina a tocar bateria. Parece que nasceu para tocá-la e o seu virtuosismo rítmico é impressionante.