“Nós, Cidadãos!” quer que PS esclareça o que realmente pensa sobre o pastoreio nas serras da Madeira

O “Nós, Cidadãos! ” criticou, em comunicado hoje emitido, a forma como o PS tem defendido o regresso do gado à serra.
Existindo um regime de ordenamento silvopastoril em vigor na Madeira e Porto Santo, que permitiu acabar com um passado desregrado que destruía a flora da Madeira e punha em causa a segurança das populações, o partido vem, pois, desafiar o PS-M a clarificar o que realmente defende nesta área. E lança, publicamente, uma série que questões aos socialistas.
“1. O PS-M defende que o gado possa pastorear no Maciço Montanhoso Central da ilha da Madeira, classificado como Sítio da Rede Natura e que compreende as zonas acima dos 1400 metros de altitude, nomeadamente o Pico Ruivo, o Pico do Areeiro e o Paul da Serra, sabendo da sua sensibilidade e importância para a conservação do nosso património florístico e faunístico, para a recarga dos aquíferos e prevenção das aluviões?
2. O PS-M defende que a apascentação possa decorrer em terrenos inclinados onde, mesmo com poucas cabeças de gado, o processo erosivo é facilmente acentuado?
3. O PS-M defende que o pastoreio possa ocorrer nas cabeceiras das ribeiras, nomeadamente das de Santa Luzia, São João e João Gomes, no Funchal, sabendo das consequências para o aumento do risco de cheia e para a segurança da cidade do Funchal?
4. O PS-M defende um aumento da carga animal actualmente existente nas serras da Madeira (mais de 2100 animais e mais de 130 licenças)? E para que valor?
5. O PS-M pretende que se acabe com a necessidade de autorização para a actividade de apascentação, particularmente em terrenos públicos? Ou quer apenas flexibilizar os critérios para permitir mais gado nas serras e em zonas desadequadas?”

Para esta questão “não seja tomada pela demagogia e pelo populismo”, diz o “Nós, Cidadãos!”, não basta dizer que se pretende o pastoreio ordenado, ao mesmo tempo que se alimenta a vontade de alguns em levar o gado para zonas desadequadas. É fundamental esclarecer, em concreto, o que cada força política defende. Este partido deixa claro que coloca em primeiro lugar a
segurança das populações, a recarga dos aquíferos, e a protecção da flora indígena e endémica da Madeira, pelo que entende que fazer regressar o gado ao maciço montanhoso central é errado, e defende a manutenção das regras que impedem o pastoreio em zonas desadequadas pela sua orografia, sensibilidade à erosão, importância para as reservas hídricas e necessidade de salvaguardar a fauna e a flora. Defende, sim, o desenvolvimento e valorização da silvopastorícia em zonas de meia encosta e mais baixas, como forma de reconverter os espaços ocupados por exóticas invasoras (como o eucalipto e a acácia) em floresta mais resiliente aos incêndios florestais.