O Presidente da Casa Branca… e Verde

 

Se hoje é adquirido que Trump terá sido eleito para a presidência da Casa Branca através de “esquemas manhosos” do Facebook, o mesmo se aplicando ao Brexit, não será menos merecedora de atenção e preocupação a utilização desbragada facebookiana de Bruno de Carvalho na presidência da Casa Verde e Branca.

Não se percebe, portanto, que BdC tenha assumido publicamente que se irá retirar do Face. Como diz o próprio BdC, assobios em peso do estádio de Alvalade são uma espécie de Danúbio Azul, agora o que não se admite é gente ingrata. A ver se percebo: ingrata ao Face e à possibilidade de sustentar umas barrigadas de riso, saraivadas de apupos ou montões de caretas de ira? A verdade é que, enquanto BdC ia bolçando posts de pescada nas redes, Benfica e Porto assistiam deliciados, de camarote, a despachar pipoca atrás de pipoca.

Certo é que, pelo somatório de atitudes de tiranete, linguajar carroceiro, respeito apenas ao seu umbigo, associadas a intervenções a denotar alegada falta de senso, já há quem fale em preenchimento de vagas numa ala psiquiátrica a pretexto de tratamento de choque, com camisa-de-forças, ao alegado narcisismo patológico bruno-carvalhiano. Segundo se diz, há que defendê-lo dele próprio, conforme já receitava poeticamente Bernardim Ribeiro em vilancete: “Entre mim mesmo e mim / não sei que se alevantou / que tão meu imigo (inimigo) sou”, a modos como se BdC se olhasse ao espelho e dissesse, de si para consigo, “Com amigos destes para que preciso de inimigos”?

Afinal, para além de ser o primeiro a dar cabo da sua própria imagem, quem é, em igual medida, o maior “sportingado” ou inimigo público número 1 dos leões?

Zeferino Boal, antigo candidato à presidência do Sporting, parece também reforçar a necessidade terapêutica, designadamente quando afirma, e citamos: “Possamos todos respeitar o ser humano que é Bruno de Carvalho. Precisa de ajuda como ser humano”. Basta que sim!

Depois do desafio Sporting-Paços de Ferreira, curiosamente veio-lhe uma súbita e aparentemente conveniente lombalgia. Não se pode dizer que BdC não saiu quase em ombros, não senhores. Pois é, quem sabe, sabe. Uma vez protagonista, sempre protagonista. Passar um jogo inteirinho no banco e sair lesionado também é obra! Nem parece de quem já estava tão habituado a bancos de suplentes. Ai não, que não.

A enfatizar a sua tendência revanchista  está, ainda, uma imagem do presidente leonino a ser assistido numa maca após o jogo, aproveitando o “preocupante” quadro clínico para regressar aos posts de pescada no Facebook, voltando a colocar os jogadores na mira das suas acusações.

Mais tarde, em tom de desabafo (de palmo e meio) voltou às redes sociais para anunciar o seu afastamento do Facebook, com irónico azedume: “Que este meu afastamento do Facebook seja a vossa felicidade…”.

Só não se sabe se o afastamento é definitivo ou temporário… Da minha parte, a avaliar pelo perfil de BdC, inclino-me para a segunda hipótese. Acredito no irrevogável revogável. Será um “déjà vu”? Entretanto, BdC lá foi profetizando que (depois dele) o clube vai perder expressão e voz. “Vamos aos poucos ser novamente um Clube submisso, calado, sem expressão e sem voz. A voz que se opõe com frontalidade contra tudo e contra todos. Que nunca terá o amor dos jogadores, pois, como disse Adrien, “defendo o Sporting CP sempre”.

Conforme já dizia (muito humildemente, como BdC) Luís XV, conhecido como Luís, o Bem Amado, Rei da França e Navarra, no século XVIII, “Depois de mim, o dilúvio”. Depois de BdC, talvez a Arca de Noé, quem sabe o Apocalipse…

Já no caso da referência a Adrien, a alusão seria graçola com o jogador ou recado para o jogador? Do sportinguismo de Adrien ninguém duvida. Do Brunismo de Carvalho, a parecer superar o sportinguismo  do ainda presidente, muitos foram, e são, os sinais.

Claro está que também há que justamente reconhecer méritos a BdC, fazendo-lhe a devida justiça. BdC deixou obra feita, nomeadamente a reestruturação da situação financeira, o regresso dos sócios, a melhoria da equipa de futebol com grande investimento em treinadores e jogadores, o pavilhão ou a melhoria significativa nas modalidades.

Não obstante, o ego trumpiano, a sua prepotente defesa do absolutista “L´État, c`est moi”, vulgo “quero, posso e mando”, a mania da perseguição que o leva a pensar que quem não é por ele, é contra ele, a sua irrefreável necessidade de protagonismo e holofotes mediáticos acabam mesmo por sobrepor-se e ofuscar os próprios méritos, que os teve, deixando na sombra, fora do perímetro da Justiça e da atenção pública os comportamentos alegadamente criminosos dos grandes rivais, cujas atitudes quase já nem são notícia, muito por “mérito” dos desvarios e desbocamentos de BdC.

Demitir-se ou pôr o seu lugar à disposição numa Assembleia Geral não faz, com toda a certeza, parte dos seus planos mais remotos. Demiti-lo não é para hoje ou amanhã. É  para ontem. Forçosa e inadiavelmente.