Câmara de Santa Cruz alarmou moradores e desvalorizou apartamentos, acusa a IHM

Casais da Quinta C
A IHM acusa a Câmara de Santa Cruz: alarmou moradores e desvalorizou habitações.

A vistoria técnica ao edifício Casais da Quinta, na Cancela, levada a efeito pelo Laboratório Regional de Engenharia Civil, a pedido da Câmara Municipal de Santa Cruz em consequência de uma primeira avaliação que revelou indícios de risco, mereceu uma reação da Investimentos Habitacionais, através de uma carta assinada por Vânia Jesus e enviada à Câmara de Filipe Sousa com conhecimento aos moradores, na qual a responsável pela IHM não poupa a autarquia acudando-a de alarmar moradores e desvalorizar habitações.

A conclusão do LREC de que o edifício não corre risco de colapsar, como inicialmente temiam os residentes, apesar de faltar pilares relativamente ao que estava projetado, veio colocar a questão noutro patamar. As obras devem ocorrer, sim, mas nos apartamentos, o que a acontecer será da responsabilidade dos proprietários, colocando de fora das responsabilidades tanto a Câmara como a IHM, que à época da construção foi a patrocinadora da obra a custos controlados, mas que, como indica na carta, não tem nada a ver com a manutenção ou responsabilização no tocante a eventuais erros de construção.

Com as duas entidades à margem, fica sobre os moradores a intervenção que é necessária executar nos apartamentos, alguns deles com fissuras consideráveis, envolvendo custos que, para muitos, não será fácil de suportar. Ainda assim, para manter a casa, terão que “abrir os cordões à bolsa”, mesmo que esta não seja de grande contéudo. Os técnicos da Câmara fizeram uma primeira avaliação e revelaram algumas anomalias, mas a autarquia, por via das dúvidas, mandou fazer um estudo ao LREC. No final, enviou o resultado aos moradores, ao condomínio e à IHM. A Investimentos Habitacionais não perdeu tempo e respondeu à Câmara.

Na carta de Vânia de Jesus para o município de Santa Cruz, a presidente do Conselho de Administração da IHM lembra que a Investimentos Habitacionais não teve qualquer intervenção na construção e utilização do empreendimento. Diz que “em todo este processo adotou uma atitude de responsabilidade, prudência, cooperação e de discrição para com os moradores do referido edifício”.

Refere a mesma carta que essa atitude foi oposta à do Município “que, mesmo alegando que era incompetente tecnicamente para avaliar o edifício, referiu na vistoria efetuada que o prédio estava em risco de colapso total, provocando alarme social. Irresponsavelmente, também procurou mediatizar o assunto, reduzindo consequentemente o valor patrimonial das habitações do edifício em causa e ainda procurando desinformar os moradores levando-os a crer que a questão estava na Investimentos Habitacionais da Madeira”.

Vânia Jesus aponta, também, que “depois de todo o alarme social provocado, vem o Município agora informar, com uma frieza que nos impressiona, que afinal o risco de colapso total que o prédio alegadamente tinha, resolver-se com simples obras de conservação, remetendo as responsabilidades das mesmas para os proprietários”.

A responsável pela administração da IHM espera que o relatório do LREC, que concluíu não haver risco de colapso do edifício, “os moradores e proprietários fiquem um pouco mais tranquilos relativamente à segurança e estabilidade do prédio”. No entanto, lamenta que “o município, em troca da prudência e recato, recomendável na avaliação deste caso, tenha adotado uma postura completamente oposta, provocando danos patrimoniais irreparáveis para as famílias que lá vivem”.