“Biblioteca Humana” aborda com adolescentes questões de violência, descriminação e preconceito

No âmbito do projecto social da CMF intitulado “Quebrar Correntes”, realizou-se, este fim-de-semana, um evento-âncora aberto a toda a população, denominado “Biblioteca Humana”. O projecto aborda com adolescentes questões relacionadas com violência, discriminação e o preconceito nas suas mais diversas faces, seja racial, sexual ou socioeconómico. É dinamizado pela empresa municipal SocioHabitaFunchal, nos Centros Comunitários do Palheiro Ferreiro e de São Gonçalo, em coordenação com diversas associações, como a Rede Ex Aequo, a Associação Presença Feminina ou a UMAR.

A “Biblioteca Humana” é um conceito criativo e desafiante, que permite à população interessada nas questões de género, identidade, sexualidade e violência associada ao género, ouvir experiências pessoais reais, da boca de quem já enfrentou e já superou algumas destas situações graves, revela a edilidade.

“As pessoas foram, neste caso, os livros vivos, disponibilizando-se para contar a sua história de vida, naquela que foi uma experiência marcante e extremamente enriquecedora para todos os presentes”, sublinhou a vereadora Madalena Nunes, que acompanhou o evento nas instalações da Universidade Sénior do Funchal, em São Martinho.

O projecto “Quebrar Correntes” e a criação de uma Biblioteca Humana foram uma ideia de Andreia Jesus, antropóloga de formação, que é estagiária da SocioHabitaFunchal. Os resultados têm sido dignos de registo, ao ponto de o Executivo Municipal pretender agora estendê-lo a todos os centros comunitários da CMF, refere-se

Madalena Nunes destacou que as parcerias com as diversas associações locais têm sido “fundamentais para que os jovens envolvidos possam perceber a realidade do nosso território” e referiu que a equipa da Sociohabitafunchal tem ficado “sensibilizada pela resposta dos jovens, e pelos resultados da promoção do respeito pela diferença e pela diversidade. Ainda assim, é importante deixar claro que, na Câmara Municipal do Funchal, não trabalhamos para amanhã. Trabalhamos para ter resultados a médio e longo prazo, com diferentes instrumentos e abordagens inovadoras e dinâmicas, criativas e ambiciosas, e que têm traduzido, acima de tudo, a nossa aposta social permanente.”

Madalena Nunes concluiu que “projectos como o “Quebrar Correntes” ou iniciativas como a “Biblioteca Humana” inserem-se nos princípios das Cidades Educadoras, que, afirmou, têm sido o fio condutor da gestão da cidade, e do “trabalho pioneiro que temos feito ao nível da igualdade de género no Funchal”.

“Hoje, somos cada vez mais uma Cidade Educadora em todas as áreas, num trabalho de humanização que se vê e que se sente, e que coloca as pessoas no centro de todas as nossas políticas”, referiu.