Ruínas do Forte de São Filipe continuam com imagem degradante de lixo, erva e sujidade

*Com Rui Marote

Muito se falou já das ruínas do Forte de São Filipe, uma estrutura erguida no século XVI para complementar a defesa da baía do Funchal perante os ataques dos piratas e corsários. Desde o início do projecto de recuperação, a polémica instalou-se, desde logo com a decisão de retirar parte de um muro e erguê-lo sobre uma ponte, na ribeira de Santa Luzia.

Depois, vieram múltiplas críticas ao arranjo das ruínas arqueológicas, cercadas por varandins inestéticos que impedem a população de aceder àquele espaço e percorrer a zona das velhas pedras. Não faltou quem apontasse o facto de que, assim, aquele espaço, destinado à mera contemplação visual, podia ficar a salvo dos vândalos mas certamente não tardaria a tornar-se lixeira dos muitos cidadãos que percorrem as artérias situadas acima, e que não hesitariam em lançar beatas de cigarros e demais detritos para aquele local. E foi precisamente isso que aconteceu. Mas pior. Toda a área do Largo do Pelourinho, entretanto alvo de recuperação incentivada pela preservação da memória histórica daquela antiga centralidade, denota sinais de abandono.

Não se percebe bem qual é o responsável pela gestão daquela zona. Governo Regional, Câmara Municipal? E que responsabilidade tem a Direcção Regional de Cultura? O que se verifica é que aquelas ruínas históricas continuam com um cartaz negativo, de degradação e lixeira no centro da urbe. A erva cresce abundantemente, com algumas plantas atingir um metro e meio de altura. Os varandins estão pejados de excrementos de pombos.

O acesso ao Largo tem o passadiço transformado numa autêntica ratoeira para os transeuntes, à espera que alguém torça um tornozelo ou parta uma perna, com as madeiras esburacadas do chão. A “casa” está sempre cheia de turistas, mas o lixo está à porta. Será que estão à espera que Avelino Farinha construa o hotel para então se dinamizar a limpeza daquela área?