O celibato e os abusos contra as crianças

Há quem misture pedofilia e celibato, fazendo parecer até que com o fim do celibato obrigatório, deixará automaticamente de existir pedofilia e até outros abusos imorais do clero. Não creio que onde está um celibatário está um demónio perverso no que diz respeito à sexualidade. Porém, não desmentem os factos, que existem celibatários demónios à solta e que cometem crimes de ordem sexual, mas também, existem os que não sendo celibatários, muitos até bem casados, são verdadeiros diabos que não servem para estarem junto de animais quanto mais ao pé de crianças. A perversão sexual é transversal à sociedade. Nem matrimónio nem celibato são directamente responsáveis pela perversidade moral e pelos abusos.

É verdade que um padre abusador de crianças é uma enorme vergonha e é o mais grave dos crimes, mas a pedofilia também praticada pelos cuidadores e educadores directos das crianças também não fica atrás e por isso assume a mesma gravidade quanto à vergonha e à criminalidade.

O celibato obrigatório na Igreja Católica terá um dia o seu fim, mas que não seja por causa da miséria dos abusos sexuais. Quando se descobre que uma das razões para que ele se impusesse foi, precisamente, por causa da imoralidade e perversão de bispos e padres, não deve alegrar ninguém. Por isso, também não concebo que o seu fim venha só porque há abusos de alguns perversos que nunca deveriam ter sido padres.

Será aceitável e uma felicidade enorme quando for possível a convivência de sacerdotes casados e celibatários na Igreja Católica, porque se concluiu que assim temos pastores mais felizes, mais dedicados, mais compreensíveis com os defeitos, as lutas e as canseiras dos outros. Que venha o fim do celibato obrigatório para elevar a credibilidade da Igreja Católica e faça dela uma instituição verdadeiro bebedouro de encontro na construção da paz, da amizade e da fraternidade.

No entanto, para já seria mais importante que o fim do celibato seria importante reflectir no sacerdócio ministerial das mulheres. Custa-me crer que Jesus tenha fundado sete sacramentos, mas o sacramento da ordem, ficou reservado exclusivamente para os machos. Acabem com esta injustiça e logo veremos que com a sensibilidade feminina perto das decisões da vida da Igreja Católica, teremos o fim de muita coisa, que nos tempos  correm fazem com que a Igreja Católica seja uma realidade olhada com desconfiança e algumas vezes como uma realidade velha que vive fora deste tempo concreto.