UMAR assinalou hoje Dia Internacional dos Direitos Humanos

A 10 de Dezembro de 1948 a ONU aprovou a Declaração Universal dos Direitos Humanos, o que representou um avanço civilizacional para toda a Humanidade. No entanto, em todo o mundo, muitos direitos continuam a ser violados. Continua a haver guerras, invasões, discriminações escravatura e exploração duma minoria sobre uma maioria.

Todos os seres humanos nascem iguais em dignidade e em direitos.

Segundo a UMAR, em pleno seculo XXI, ainda existe trabalho escravo e infantil, ligado a grandes cadeias internacionais de moda, onde as mulheres são a maioria. As entidades internacionais continuam, muitas vezes, a fechar os olhos a esta realidade. Muitas mulheres em todo o mundo continuam a ser obrigadas a casar ainda crianças com homens escolhidos pela família, especialmente nos países muçulmanos, e são obrigadas a cobrir maior parte do seu corpo para poder sair à rua. Muitas crianças mulheres são mutiladas genitalmente em muitos países, na sua maioria africanos, e não conseguem se defender, ficando marcadas para toda a vida. Até quando as organizações internacionais vão continuar a fechar os olhos a esta realidade?

Todos os seres humanos podem invocar os direitos desta declaração sem distinção de raça, cor, sexo, língua, religião, opinião política ou outra.

Mas todas/os sabemos que as discriminações e as desigualdades de tratamento existem em todos os sentidos. No que diz respeito à igualdade de género, podemos afirmar que estamos muito longe de ver aplicada esta Declaração mesmo no nosso País e na Europa para não falarmos na total ausência de direitos das mulheres na grande maioria dos países africanos e asiáticos e também noutras regiões do mundo. Continuam a existir limpezas étnicas em vários locais do mundo, onde mais uma vez as mulheres e as crianças são as principais vítimas.

Todos os seres humanos têm o direito à vida, à liberdade e à segurança pessoal.

Mas as estatísticas dizem-nos que, no mundo, 1 bilião de mulheres são maltratadas, abusadas e muitas assassinadas pelos seus companheiros, ex-companheiros, pais e irmãos. Em Portugal, em 2017, até à data, ocorreram 18 femicídios, 5 deles na Madeira, isto segundo dados que saíram na comunicação social.

Sabemos que mais 4 mulheres foram assassinadas na Madeira, e que apesar de não terem identificado os assassinos, sabia-se que sofriam violência doméstica. Ainda existiram duas tentativas efectivas de homicídio contra mulheres. Para somar a tudo isto uma mulher encontra-se desaparecida em circunstâncias estranhas há vários meses.

Todas a pessoa, individual ou colectiva, tem direito à propriedade.

Mas há lugares no mundo em que a mulher não tem direitos de propriedade, nem direito a herdar bens, porque segundo as leis desses países, a mulher em si é considerada um bem do homem.
Toda a pessoa tem direito ao trabalho, à livre escolha do trabalho e à protecção contra o desemprego. Sem discriminação alguma, a salário igual para trabalho igual.

Mas sabemos que as mulheres continuam a ganhar menos do que os homens para o mesmo trabalho, sendo em Portugal a diferença quase de 20%. Sabemos que as mulheres são mais desprotegidas socialmente, são mais discriminadas quando querem aceder ao mercado de trabalho por serem mães, e são as que ganham reformas mais baixas hoje em dia porque muitas delas trabalhavam como domésticas no passado, e as outras descontaram menos porque ganhavam salários muito baixos.

A UMAR considera importante trabalhar para uma mudança de mentalidades, para que se conheça verdadeiramente quais são os direitos humanos, para se lutar contra quaisquer violações aos mesmos.

Esta mudança tem que começar nas escolas, desde o 1º ciclo até ao secundário, sem descurar outros sectores da sociedade e todas as gerações, incluindo as pessoas idosas. É aqui que a nossa associação vai continuar a intervir, para lutar por um mundo mais justo e cumpridor dos direitos humanos, onde mulheres e homens tenham os mesmos direitos e oportunidades onde quer que estejam.