Debate sobre o novo hospital: PSD acusa governo de António Costa, oposição denuncia “falência” do sistema de saúde na RAM

Fotos: Rui Marote

O debate convocado pelo PSD para debater os constrangimentos colocados pela República à construção do novo hospital da Madeira iniciou-se esta manhã já na Assembleia Legislativa da Madeira com uma intervenção do deputado social-democrata João Paulo Marques na qual este considerou que a nova e ambicionada infraestrutura hospitalar “está refém de uma agenda partidária” dos socialistas,  os quais, responsáveis pelo governo da Nação,  fazem promessas inconsequentes e vão criando grupos de trabalho. “Fazem de conta que não é nada com eles”, exigem concurso público para o hospital da Madeira,  como condição para inscrição no orçamento de Estado, mas o mesmo não se aplica a outros novos hospitais no continente,  o que equivale a tratar os madeirenses como “portugueses de segunda”.

O Estado, acusou,  foi colocando dificuldades em cima de dificuldades ao avanço do novo hospital, dizendo primeiro para apresentar projecto de interesse comum, depois chumbando-o, depois dizendo que davam 50 por cento mas novamente arranjando expedientes para não inscrever a verba no orçamento de Estado, exigindo o lançamento de concurso internacional, o que não se aplica, por exemplo,  ao novo hospital de Évora ou do Seixal. São milhões se euros já inscritos no Orçamento geral do Estado, “sem concurso internacional”, sem “qualquer obstáculo”. O que levou João Paulo Marques a considerar que “não há vontade” de fazer o novo hospital da Madeira.

De seguida, Pedro Ramos fez a apologia da nova infraestrutura: “Todos nós queremos o novo hospital”, insistiu, relembrando todo o historial deste processo. Afirmou que o Governo Regional está em condições de lançar o concurso, sendo o novo hospital “um compromisso para os próximos 30 anos”.

O projecto,  disse,  está pronto e todas as diligências foram feitas. É um desígnio nacional, considerou, e do Governo Regional em particular,  porque “privilegiamos a humanização,  a segurança,  a qualidade em Saúde”. Várias unidades hospitalares precisam ser reestruturadas, disse. E o Governo trabalhou afincadamente para isto.

Porém,  enfrentou múltiplas críticas,  por exemplo do deputado centrista Mário Pereira,  que acusou o médico, hoje governante,  de, enquanto clínico,  não ter defendido a criação do novo hospital. Agora,  defende-o, mas trata-se de uma incoerência, acusou. Por outro lado,  Carlos Pereira,  afirmou que este debate só se realiza porque existe a vontade do Governo central em realizá-lo. Mas onde estão as expropriações?, questionou. Por outro lado, Raquel Coelho acusou João Paulo Marques de não estar a ser sério,  pois o PSD foi governo antes do PS e nada fez para fazer avançar o projecto da nova unidade hospitalar.

Entretanto,  sucedem-se as divergências entre os deputados e os membros do Governo Regional,  inclusive o vice-presidente do Governo Regional, Pedro Calado, que afirmou no hemiciclo  que o governo central só faz promessas, empata e tem para oferecer “uma mão cheia de nada”, protelando sistematicamente. “Anda a brincar aos papelinhos” e não resolve nada,  apontou.