Clima de “guerrilha institucional” entre Governos Regional e da República domina debate sobre o novo hospital

Fotos: Rui Marote

Num debate que se afigura a todos os títulos estéril,  a questão do novo hospital da Madeira continua a ser motivo para os deputados da Assembleia Legislativa Regional se degladiarem uns com os outros pela atribuição de culpas por causa do projecto não avançar. O PSD, que convocou o debate de urgência sobre esta questão,  afirma que a culpa é do Governo da República; os deputados da oposição dizem que o Governo Regional não está a ser sério pelas mais diversas razões. Gil Canha,  deputado independente,  considerou que o novo hospital é uma megalomania herdada dos tempos jardinistas,  que não faz sentido prosseguir. “É como comprar um Ferrari quando não podemos sequer resolver os problemas de andar com um Fiat 600”, ironizou, comparando o funcionamento deficiente do SESARAM, no qual faltam medicamentos, vacinas e até material de primeira necessidade,  ao automóvel de baixa cilindrada.

Entretanto, outros vão esgrimindo argumentos jurídicos: pode-se avançar com um projecto sem ter a garantia do dinheiro? Amílcar Gonçalves,  o novo secretário do Equipamento,  diz que não pode avançar sem garantias, e que, se o Governo Regional fizesse isso, seria necessariamente sancionado pelo Tribunal de Contas. Já a oposição insiste na necessidades de o Governo deixar de dizer repetidamente que pode avançar com o projecto. Rodrigo Trancoso,  do Bloco de Esquerda,  insistiu em que,  se houver legalmente contradições na legalidade do procedimento do Governo da República  nesta matéria,  elas virão à tona e poderão ser expostas e ultrapassadas desde que o Governo Regional avance com a sua parte, lançando o concurso e forçando a garantia de António Costa a concretizar-se.

O líder da bancada parlamentar do PS, Carlos Pereira,  insiste em que o PSD é que nunca foi capaz de fazer o seu trabalho nem de assegurar o apoio do Governo de Passos Coelho ao novo hospital e que o Governo Regional ignorou as garantias do PS da inscrição da verba no Orçamento de Estado, que, aparentemente, ainda acredita que venha a acontecer.

Carlos Rodrigues,  do PSD, acusou o BE, e em particular Rodrigo Trancoso,  de “estar contra o povo da Madeira”, defendendo, na sua perspectiva,  agressivamente,  o governo de António Costa com mais afã do que o próprio PS.

Mário Pereira,  do CDS, acusou o Governo Regional de esconder dados sobre o projecto do novo hospital,  “que não é assim tão bom, tem falhas” e sublinha que o PSD de Albuquerque está a “jardinizar-se” e a cultivar um clima de “guerrilha institucional”.

José Manuel Rodrigues, do mesmo partido, insistiu na necessidade de melhorar os serviços de saúde actualmente existentes,  antes de se partir para o novo hospital. Não basta construir uma infraestrutura, que continue com as mesmas carências,  disse. De resto,  caracterizou a actual situação como uma “pescadinha de rabo na boca”. O Governo da República não dá o dinheiro enquanto o Governo Regional não avançar com o concurso internacional e as expopriações; e o Governo Regional não avança enquanto a verba do Estado para o hospital não estiver inscrita no Orçamento de Estado. O povo da Madeira está farto desta confrontação, considerou.