Cidade turística “acorda” com estendal no lugar das floristas

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O estendal improvisado convive com a vida de uma cidade turística.
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Câmara e Governo até podem fazer concorrência em termos de promoção turística, mas é bom que vão articulado posições para evitar esta realidade.

Rui Marote

Quem anda pela cidade, começa a verificar situações que, para dizer a verdade, deveriam já ter sido intervencionadas por quem de direito. A situação dos sem abrigo é real, não podemos esconder que faz parte da cidade, mas as entidades podem desenvolver esforços, independentemente das cores políticas e das motivações, para minimizar este triste cenário que hoje pudemos constatar na Rua do Aljube, junto ao Banco Santander Totta, à Penha D’Águia e à zona onde habitualmente se encontrava uma vendedora de flores, uma atividade também ela em extinção.

De facto, aquele espaço dedicado às vendedoras trajando madeirense, constituia uma atração turística, escasseando pela cidade, mas mantendo a tradição vida e uma atenção especial à Madeira terra das flores. Os turistas passavam, paravam e disfrutavam de momentos únicos, muito nossos. Só que a última florista “sobrevivente” adoeceu, há meses que ali não se vende nada e o espaço passou a estar disponível para estendal dos sem-abrigo que pernoitam na entrada do Banco Santander. Acordam, lavam a roupa na “boca de incêndio” e colocam-na a estender num cenário que, no mínimo, deveria chamar a atenção de que tem responsabilidades de tornar a cidade bonita, limpa e agradável, quer para o turismo, que é uma preocupação, mas também para os locais que igualmente pretendem uma cidade que resolva estes problemas.

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No lugar das bancas das floristas está roupa a secar. Se a “moda pega”…

A roupa está ali, para quem quiser ver, paredes meias com o passeio, a esplanada da confeitaria/pastelaria Penha D’Águia. Se seguirmos junto às instalações do Santander, em direção do Bazar do Povo, junto ao multibanco, estava há pouco um computador no chão. Para quem quiser ver é assim. Só nós é que vimos, só nós é que sabemos como diz a música de tempos que já lá vão? Os cacifos foram bem recebidos, mas não dão para guardar secar e nem sabemos se é para guardar alguma coisa.

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De um lado o estendal, mais à frente um computador no chão.

Como dizia o anterior secretário da Economia, Eduardo Jesus, a Câmara anda a meter-se na promoção turística, com espaços na Praça do Povo para postos turísticos e outras medidas que, na opinião do governante que saíu, era uma “intromissão” na esfera da pomoção do turismo regional, que agora tem uma nova “cara” para governar. Seja como for, seja de quem for a jurisdição, intervenham, neste caso, mesmo que se atropelem em funções, é melhor pecar por excesso e limpar esta imagem do que pecar por defeito e isto alastrar até ficar “apartamento no Santander e varanda nas floristas”.