Taxa de juro negativa para dívida portuguesa


Ultimamente, a nível económico o país tem tido boas notícias, o desemprego baixou para os 9,2%, Portugal registará uma taxa de crescimento económico de 2,6% em 2017, o défice está dentro dos limites impostos pelo governo, e recentemente o IGCP colocou dívida a curto prazo no mercado conseguindo alcançar as taxas de juro mais negativas de sempre da história do país.
Este último facto pode parecer estranho, pois não estamos habituados a ouvir falar de empréstimos a uma taxa de juro negativa, o normal é que as taxas sejam positivas e que as pessoas que pedem emprestado tenham de pagar o capital mais os juros que a taxa lhes exige. Esta é a norma para pessoas individuais e empresas, mas para países tal norma nem sempre se aplica.
Em anos recentes, países em que os investidores têm forte confiança na economia, isto é, acreditam que não vão entrar em bancarrota, como é o caso da Alemanha, têm registado taxas de juro negativas. Para este país, ter este tipo de taxas já não é novidade, afinal de contas é um dos países europeus mais bem colocados nas agências de ratings internacionais, conseguindo mesmo se financiar a taxas de juro negativas para dívidas com maturidade até dez anos. Logo, entrar para o lote de países com taxas de juro negativas é um bom sinal para Portugal, evidenciando assim a crescente confiança dos investidores no país, sustentada em grande parte pelos números favoráveis dos indicadores económicos e pela saída do procedimento por défices excessivos.
Conseguir leiloar títulos de dívida a taxas de juro negativas significa que para além de o país não pagar juros, parte do montante da dívida que foi a leilão irá reduzir, pois será paga pelos investidores. É um conceito estranho e pouco natural, mas que acontece porque há muitos investidores dispostos a comprar estes títulos, caso contrário as taxas de juro teriam de ser positivas e altas para os atrair. Existem vários motivos que fazem com que os títulos de dívida portuguesa com taxas de juro negativas sejam atrativos, mas a principal razão é a falta de outras opções melhores e seguras onde investir. É preciso lembrar que estes investidores são obrigados a fazer aplicações seguras, logo, não têm muitas alternativas quando se trata de, por exemplo, aplicar o dinheiro de fundos de pensões, por isso, têm de pesar de entre as opções disponíveis qual é a menos prejudicial.
Uma opção segura seria depositar o dinheiro no banco central europeu, mas deixou de ser atractiva, pois actualmente é aplicada uma taxa de juro de depósitos de -0,4%, o que significa que para além de não receberem juros dos depósitos ainda terão de pagar ao banco para guardar o dinheiro, logo os investidores vêem-se obrigados a procurar outros tipos de investimentos seguros e mais rentáveis, ou pelo menos onde percam menos dinheiro. Ora, recentemente, Portugal ofereceu um investimento com taxas de juro de -0,36% para os títulos de dívida a três meses e de -0,35% para os de doze meses, o que é relativamente melhor que depositar o dinheiro no banco central europeu ou comprar títulos de dívida alemães, que apresentam taxas de juro ainda mais negativas que as portuguesas.
Na minha opinião, apesar de não diminuir a dívida portuguesa de forma significativa, as taxas de juro negativas são um óptimo sinal para o país e envia uma mensagem de confiança para o exterior, criando a possibilidade de as taxas de juro de dívida a longo prazo diminuírem também, o que significa que Portugal poderá renovar a sua dívida a custos inferiores ou até mesmo pagá-la mais cedo com encargos menores, reduzindo desta forma a dívida total do país.