Decidiu ser operada na clínica depois de um dia à espera no Hospital com fratura no braço

URGENCIAS HOSPITAL NELIO MENDONCA
Utente foi transportada ao hospital, tinha fratura no braço e ficou um dia à espera da operação até que decidiu ir para uma clínica e pagar do seu bolso.

Argentina Pereira é uma utente do Serviço de Saúde da Região e diz-se “indignada” com a forma como o seu caso foi tratado pelos serviços hospitalares. Sofreu uma queda no dia 12 de outubro, pela manhã, na residência assistida Dilectus. Foi socorrida e transportada ao Hospital Dr. Nélio Mendonça, onde lhe foi diagnosticada, como refere ao FN, uma fratura no braço, sendo que a intervenção cirurgica era o próximo passo. Esteve todo o dia sem ser operada, com dores, e como se isso não bastasse, foi informada que a operação ainda não seria nesse dia. Foi então que decidiu ir para uma clínica privada. Podia fazê-lo e fez, caso contrário era esperar.

Numa carta enviada ao Funchal Notícias, faz um relato da situação. Não sem antes lembrar ter nascido  “antes da segunda guerra mundial. Como a maioria do povo português era pobre e pouco tinha para comer. No entanto, o respeito pelos pais que perdi cedo imperava assim como a educação e o reconhecimento pelas pessoas mais velhas. Nos cuidados de saúde, que não eram abundantes como hoje, sempre me lembro de existir o respeito pelo doente e o pouco que se conhecia, na altura era muito, era sem dúvida para ajudar e tratar com a sabedoria e a lealdade da profissão de médico. Conheci meio mundo e largas centenas de pessoas, nem todas boas, no entanto não me recordo de ter sido tratada com grandes faltas de respeito e de atenção que qualquer pessoa merece. Fui mulher e mãe cedo. Aprendi a lutar com as forças que tinha, hoje apenas me resta a palavra escrita e falada. Com a idade falta-me a força, a audição, a visão mas graças a Deus nunca me faltou a educação e o respeito”.

E passa a contar o relato do que se passou naquele dia 12 de outubro:  “Lamentavelmente, sofri uma queda cerca das 7,15 h do dia 12 deste mês de Outubro e, como consequência, parti o meu braço direito. Fui de imediato socorrida, com a atenção dos enfermeiros, dos auxiliares e por toda a equipa da Dilectus (residência assistida) instituição na qual resido, atualmente, com muito gosto. Fui transportada para o hospital Nélio Mendonça onde cheguei cerca das 7,35 h, com bastantes dores. O senhor enfermeiro  colocou-me uma pulseira pintada de laranja com o meu nome e fez uma chamada telefónica, julgo que para a médica de serviço, a informar a minha situação.

Passados 45 minutos chegou a médica ortopedista da qual não me recordo o nome. Fiz rx e logo foi diagnosticado fratura de não sei quê no meu braço. Fui informada que o meu caso era para cirurgia e que era provável que só fosse operada pela equipa que entraria de manhã. Fui internada e deram-me um soro para as dores. Pela hora do almoço as dores voltaram e já incomodada com as dores perguntei se a cirurgia iria demorar. A resposta não poderia ser mais vaga, parecendo até que situações semelhantes ocorrem regularmente, “estamos à espera que o Dr…., que é o ortopedista que está de prevenção, diga alguma coisa”. Essa “alguma coisa” nunca chegou. A última notícia que recebi, ao fim do dia, foi da enfermeira: “Como já se previa não vai ser operada hoje”. Não me soube dizer quando seria. Pelas informações que me foram chegando na expectativa de ir para o bloco, constou-me que houve tempo, sala, médicos e enfermeiros menos a presença desse senhor doutor…”

Afirma lamentar a conduta do médico em causa. Diz que “pela primeira vez na minha vida senti-me mais do que abandonada, senti-me negligenciada. Apenas por uma pessoa, aquela que tinha a responsabilidade de me tratar e não o fez. Por negligência, por ser como é, por os doentes do hospital nada lhe dizerem nem importarem”.

Cansada de esperar e com dores, com solução adiada no Hospital Dr. Nélio Mendonça, decidiu, a expensas próprias, fazer a intervenção cirúrgica num estabelecimento de saúde privado. Podia fazê-lo, fez. Caso contrário, era esperar. A transferência ocorreu ainda no dia 12, foi logo operada e regressou no dia 15 à residência onde se encontra a viver neste momento.