A música é outra…

musica cartoon
Ilustração de José Alves.

Miguel Albuquerque sempre teve queda para a música. Umas vezes ao piano, cuja competência, para um amador aparentemente de fino trato, não se discute. Outras vezes, mais ou menos com baladas, que funcionaram, durante muitos anos, como nota dominante da sua gestão partidária e autárquica. Junto ao público, em geral, ao eleitorado social democrata, em particular, era “música para os ouvidos”, como diz o povo, que sábio como é, também sabe como foi. Era daqueles toques, umas vezes mais musicados que outras, que deixando rasto de cheiro a rosas, metia o eleitorado no bolso. Era assim, nada feito, popularidade que “enchia” o olho e festa rija a caminho da Quinta Vigia. Na altura, só se não quisesse. Como quis…estava lá.

Mas sabe-se que nestas coisas das notas, da popularidade e dos apoios, às vezes o povo encolhe-se e arrepia-se com algumas desafinações. Surpreende-se mesmo. E quando o povo se surpreende é porque qualquer coisa está para acontecer, é porque anda ali outro a tocar música e se calhar o outro toque já não chega, tem que ser mesmo, quem sabe, a “toque de caixa”. E muitos se interrogam sobre as razões que levaram a música e a popularidade aos molhos, de repente, em tão pouco tempo e numa altura em que ainda se afinava o piano, ter saído do top sem se saber como. É coisa para ir à bruxa, dizem alguns. Ou então é a máxima “diz-me com quem andas dir-te-ei quem és”, dizem outros. Nem tanto ao mar nem tanto à serra, se calhar é uma mistura. Por isso aquela “limpeza de orquestra”, que já andava a tocar como se não tivesse maestro.

Agora, quanto à nova música, o nosso cartonista não podia ter sido mais feliz, ao trazer à imagem uma parte da composição de António Macedo, não é muito conhecido mas fez canções num contexto de intervenção, de Revolução dos Cravos, do 25 de abril de 74. Nada mais oportuno, é que se vermos bem com olhos de ver, talvez seja esse mesmo o caminho que Miguel Albuquerque tenha que seguir, rigorosamente dando corpo ao refrão “Canta canta amigo canta vem cantar a nossa canção tu sozinho não és nada juntos temos o mundo na mão”, que o José Alves adaptou para “tu sozinho não és nada, com a AD temos a Madeira na mão”. AD da distante Aliança Democrática, que em tempos juntou PSD e CDS.

Do outro lado desta imagem está Ricardo Vieira, que aparece a dar o “toque musical” que pode faltar a Albuquerque, meio azul, meio alaranjado. Vieira é uma figura que recentemente renunciou ao cargo de deputado, que não morre de amores pelo atual líder regional do seu partido e que, em declarações ao Expresso, formulou um desejo que, futuramente, um acordo PSD/CDS será a receita para evitar um governo de esquerda na Madeira, em 2019. Tudo dito. E o momento não podia ser melhor, é uma altura em que todos os líderes estão sozinhos, como diz a música, “tu sozinho não és nada”. Eles estão sozinhos, em todos os partidos, só falta um pequeno pormenor, é perceberem isso mesmo. Tirando Cafôfo, claro, que nunca esteve tão acompanhado como agora.

Agora, resta saber, daqui até às eleições de 2019, quem é que vai dar música a quem.