Jardim abre as hostilidades no PSD-Madeira: “A horda que assaltou o PSD/Madeira, agora nas eleições autárquicas, engoliu o pão que amassou há quatro anos”

Com um artigo intitulado “Começa hoje a campanha de 2019”, o ex-presidente do Governo Regional e do PSD-Madeira quebra hoje um silêncio que durava há meses, mais precisamente desde 25 de Julho.

Eis o artigo:

“A horda que assaltou o PSD/Madeira, agora nas eleições autárquicas, engoliu o pão que amassou há quatro anos. Traição então organizada para que um apoio à oposição melhor colocada para o efeito, derrotasse os autonomistas sociais-democratas e estes porventura entregassem o poder.

Há quatro anos, essa clique exigiu a minha demissão da liderança do Partido, por só termos vencido em quatro Câmaras Municipais.

Agora, só com três Câmaras, espero que sejam coerentes.

II

E ao felicitar todos os eleitos, bem como todos os que trabalharam civicamente para o sufrágio, é com regozijo que vejo reeleitas pessoas que então a minha Direcção partidária escolheu e lançou: os Presidentes de Câmara de Lobos, Ribeira Brava, Calheta e Porto Santo (ex-Presidente da Junta de Freguesia).

Qual o “renovadinho” eleito?…

E os responsáveis por candidaturas particularmente inadmissíveis, como Santa Cruz e Ponta do Sol, bem como pela primeira vez na sua História o PSD não concorrer a uma Câmara Municipal, em São Vicente, optando por apoiar quem há quatro anos, então como agora também suportado por outros Partidos, fez parte da trama?

III

Se a situação no PSD/Madeira continuar assim, o Povo Madeirense arrisca-se a ficar nas mãos de um governo comuno-socialista a partir de 2019.

Hoje, 2 de Outubro de 2017, começou essa campanha eleitoral.

IV

É preciso JÁ:

– restaurar a Unidade do PSD/Madeira;

– mudar as políticas erradas em curso;

– retomar a luta pelos Direitos madeirenses a uma verdadeira Autonomia Política, nestes dois anos apagada pelos interesses internos e externos que agora controlam o arquipélago.

Unidade significa eliminar o passado recente e, para o efeito, não são necessários saneamentos ou marginalizações, nem recuar a qualquer anterior candidatura à liderança. Basta afastar nem sequer uma dezena de criaturas.

V

O que até agora aconteceu no PSD/Madeira é mau demais para ser só incompetência, irresponsabilidade e leviandade política.

O Partido foi assaltado por uma estratégia exterior para nos fazer perder maiorias absolutas e nos reduzir a um partido igual aos outros.

Numa maioria absoluta, o poder está nos políticos eleitos e fiscalizados pelo Povo.

Sem maiorias, o poder fica nas mãos do capital financeiro.

Quem assistiu na noite de ontem aos comentários na delegação local da televisão do Estado colonial, viu o engenheiro químico que integra conhecido lóbi preponderante e responsável na situação actual no PSD, tentar segurar o líder por mais algum tempo. A propósito, quem era aquela analfabeta política que pintava o passado autonómico da Madeira com côres negríssimas? Passado que, na Educação e no Desenvolvimento, se calhar permite que, hoje, a asneirenta não ande andrajosa a esmolar pelas esquinas.

VI

A nível nacional também descalabro dos igualmente ocupantes do Partido, aliás mutuamente cúmplices dos ocupantes de cá.

Lá, como cá, a estratégia de inscrever estranhos, incluso votantes do PS e das organizações comunistas, para lhes garantir os poleiros partidários.

Trata-se de uma situação que pode impedir a Regeneração de que o Partido Social Democrata carece a nível nacional e a nível regional. Alguns não vão querer livrar-nos da sua incompetência.

Então a solução, insusceptível de protelar muito, pode ser a formação de uma nova organização política ao Centro, quer nacional, quer regional, apontada à efectiva descentralização política, ao Desenvolvimento e ao Emprego.

VII

Uma última palavra, à Dra. Rubina Leal.

Todos sabem que não afinamos pelo mesmo diapasão, depois do que entre nós se passou no final do meu último mandato.

Mas reconheço o trabalho e o entusiasmo com que se empenhou nesta campanha, apesar de condenada à partida e apesar de, tal como muitos outros candidatos do Partido, deixada ao abandono e ao improviso.

Esclareço que a única vez que não votei no PSD a que ainda me orgulho de pertencer, foi nas últimas eleições legislativas nacionais – um traço em cima de tudo aquilo. Mas por muito que considere o adversário Dr. Cafôfo, não voto em coligações integradas também por organizações comunistas (“bloquinho” e JPP), nem voto contra um filho a quem agradeço a lição que me deu de lealdade partidária.

VIII

Porém, o que mais me preocupa é o que vai em certas cabeças por aí.

Depois do genocído social provocado por Passos Coelho, a “geringonça” de facto pôs mais moeda em circulação, como sempre escrevi – lembram-se?…

Porém, a maior existência de moeda em circulação não vem sendo para Desenvolver, investindo mais, criando Emprego e procedendo a reformas estruturais, mas antes para dar benesses, gorjetas, uns trocos para mais umas cervejinhas, passeatas, comezainas, etc.

Ora, sem Desenvolvimento, daqui a vinte anos estaremos de novo tão atrasados em relação aos países mais avançados, como estávamos há quarenta anos, para além de falidos outra vez.

Grande parte dos nossos Quadros e da nossa Juventude, sem mais Emprego, emigrará.

O que se viu nesta campanha eleitoral, sem excepção, foi de bradar aos céus!

O que se passa com aquela parte da população que só quer saber de quem lhe dá gorjetas, que vota em quem deixou tudo na mesma, ou mesmo em quem, além da sua inutilidade, já revelou falta de carácter?!…

Que vota em quem só promete distribuir dinheiro – que não existe!…

Esta “democracia” é resultado da “educação” e da “informação” que vem tornando Portugal numa mediocridade.”