Benedita deixa testemunho pessoal aos jovens que entram agora na universidade: não ceder a pressões e estereótipos de cursos

Benedita Homem de Gouveia apela a que todos sigam o seu coração na escolha dos cursos superiores. Foto DR.

Num momento em que milhares de jovens fazem as malas para entrar nas universidades portuguesas, o Funchal Notícias procura dar voz a esses mesmos estudantes, numa partilha de experiências que poderá ser útil a quem recomeça do zero. É uma etapa de viragem, de ansiedade e dúvidas para os jovens e respetivas famílias e daí a importância de publicar o testemunho pessoal de quem já passou por esta experiência e tenta acertar o passo no mundo complexo, competitivo e exigente do ensino superior em Portugal.

Benedita Homem de Gouveia ficou colocada em julho deste ano na Universidade Católica Portuguesa, em Lisboa, por opção pessoal, no curso de Comunicação Social e Cultura, e já começou as aulas quinta feira passada. Uma experiência que está a “adorar”, embora também tivesse lugar garantido numa universidade pública. Mas preferiu escolher a Católica. O ano passado, o seu ingresso na universidade pública, em Finanças, não correu bem, tendo desistido, após alguns meses de tentar gostar desta alternativa, segunda opção de candidatura. Um ano à espera de novo rumo no ensino superior, como acontece com centenas de outros estudantes, precipita o amadurecimento de ideias e projetos. A pedido do FN, Benedita Homem de Gouveia partilha com os leitores a sua experiência, num testemunho na primeira pessoa.

Entre dois amores

“Deus escreve direito por linhas tortas. Sempre tive a paixão pela Literatura e a arte do saber escrever, criar o que ainda não existe através de palavras e deixar levar-me pela imaginação. Devo também confessar que a Economia também foi uma área que sempre me fascinou e prossegui nestes meus dois amores ao enveredar nas Ciências Sócio-económicas no ensino secundário. Sofri com a matemática, não no sentido de ser difícil, mas no de não me dar prazer algum, a chamada matemática pura e não económica.

Saí do Liceu com uma grande determinação: entrar em Gestão, sofrer um pouco mais com os números e, no final da licenciatura, tornar-me mestra em Marketing, a minha carreira de sonho. Com a partida do concurso público de acesso ao ensino superior de me colocar num curso de Ciências da Comunicação, a minha intenção académica ficou algo gorada e desiludida, apesar de todos me dizerem que aquela sim era a minha vocação, logo um sinal. Determinada, não desisti do meu inicial propósito, até que consegui entrar através da candidatura à segunda fase de ingresso no ensino superior.

Ingressar no curso errado

Não foram precisas duas semanas para perceber que não ia conseguir mais, a pressão, a insatisfação, nada parecia fazer sentido no curso, apesar da enorme e tão hospitaleira receção e apoio da Faculdade.

Voltei para o meu ninho com um novo objetivo traçado, aquele que deveria sempre ter sido a minha primeira escolha: entrar em Comunicação Social e Cultural na UCP.

Se me arrependo do que escolhi no ensino secundário? Nunca, voltaria a escolher, desafiei-me e aprofundei os meus conhecimentos nos dois temas que tanto gosto. Se me arrependo de ter regressado a casa? Nunca, cresci, aprendi mais, tive mil e uma novas experiências e meses sem a pressão dos exames para fazer aquilo que nunca tinha tempo antes.

Não escolher cursos por estereótipos

E agora? Exatamente um ano depois de estar lavada em lágrimas com a surpresa do ensino superior, posso considerar que estou a viver hoje um verdadeiro “céu”. Este curso, sim, dá-me prazer, faz com que acorde entusiasmada por enfrentar as ruas lisboetas, novos desafios, o que antes não acontecia.

Gostaria de deixar um alerta aos meus colegas: não vale a pena forçar um curso por meros estereótipos de maior saída profissional, por acharmos que tem maior reputação ou para satisfazer seja quem for. A felicidade tem de estar inteiramente em nós, aliada ao que desejamos (mesmo) de fazer nesta nossa nova etapa e vida independente.  E acreditem, por mais que pressionam e oprimam a vossa verdadeira vontade, vai sempre haver alguma luzinha sinaleira, uma oportunidade de sentirem aquilo que realmente vos vai fazer experienciar a melhor das emoções: a de estar preenchido.  É como disse. Deus escreve direito por linhas tortas. Confiem nas vossas intuições e não se guiem por mais ninguém. As maiores felicidades para este primeiro ano, caloiros, seja qual tenha sido o vosso percurso antes.”