Astana: cidade futurista numa das capitais mais frias do mundo

 

O Funchal Notícias está presente na maior exposição internacional da história da Eurásia. Em Astana, capital do Cazaquistão o repórter fotográfico tem a oportunidade de estar mesmo no centro do cenário da grande mostra internacional que decorre de 10 de Junho a 10 de Setembro. Estamos a poucos dias do seu encerramento.

Cheguei na hora do seu “adeus” desta importante exposição universal, da qual em 1998 Lisboa foi anfitriã.

Viajando de Minsk, capital da Bielorússia, que os leitores tiveram oportunidade de ver referida nas minhas crónicas de viagem, cumpro o meu sonho de visitar o Cazaquistão. As expectativa foram superadas com a qualidade do que contemplo. É a cereja no topo do bolo. Conseguir um visto não foi fácil e o Cazaquistão é quase um tabu para os agentes de viagens. Este país não tem representação diplomática em Portugal e o visto tem de ser conseguido em Madrid, Paris ou Londres, sempre munido de uma carta que apelido de “carta de chamada”, um termo de responsabilidade. Mas como sou um autêntico “fura bardos”, não descansei. O sonho concretizou-se. A Expo de Astana 2017 é subordinada à temática da “energia futura”, assunto essencial do evento que destaca novas tecnologias energéticas.

Astana vem juntar-se, assim, a uma longa lista de cidades-chave que sediaram exposições internacionais, as conhecidas “Expos”. A tradição das “Expos” remonta ao ano de 1851, quando a primeira foi realizada no Hyde Park, em Londres, no Palácio de Cristal.

Na época, estes eventos eram conhecidos como feiras mundiais; actualmente, chama-se-les “expos mundiais”. A partir de um formato mais modesto do que o actual, o certame  transformou-se em grandes eventos subordinados a não menos importantes temas que podem interessar a pessoas de diversos gostos, consoante os anos, mas que geralmente apontam sempre para uma perspectiva de transformação e de futuro da Humanidade.

Expos menores e mais especializadas, como a de Astana, concentram-se em temas menos abrangentes, mas relacionados com desafios globais que a todos dizem respeito e para os quais se procuram oferecer soluções inovadoras.

Quem não se recorda da Expo 98 em Lisboa, representando os Oceanos “um património para o futuro”? Independentemente do tamanho que possam adquirir, consoante a capacidade do país que as alberga e dos países participantes, as Expos exibem os melhores produtos das diferentes nações, quer sejam eles tecnológicos, manufacturados ou agrícolas.

As Expos representam despesas, mas também servem para alavancar a economia dos países anfitriões. As turbinas eólicas são características do cartaz da Expo 2017 Astana, certame no qual as preocupações do mundo com o aproveitamento de energias sustentáveis é central.

O local da exposição ostenta o que os organizadores chamam de “o maior edifício em forma de esfera do mundo” no seio de um complexo que foi projectado pela empresa Adrian Smith + Gordon Gill Architecture, sediada em Chicago. O Pavilhão norte-americano procurou inspirar esta mensagem: “A fonte de energia infinita está dentro de todos nós. É a energia que alimenta os nossos sonhos e nos reúne para fazer coisas incríveis”. Palavreado poético dum país cujos dirigentes não acreditam nas alterações climáticas (que agora castigam com tufões cada vez mais fortes a zona das Caraíbas e da Flórida) e que abandonou tratados internacionais essenciais para a diminuição do efeito de estufa e aumento da temperatura causado pelas constantes emissões de carbono para a atmosfera.

De qualquer forma, a preocupação com a “energia limpa” está assumida num acontecimento que decorre, ainda por cima, num país que possui também as suas importantes reservas de combustíveis fósseis. Estão representados ali 48 países. Infelizmente, Portugal não faz parte da lista.

Astana é uma cidade longínqua que dista mais de 6.000 quilómetros da capital portuguesa, o que de algum modo serve para justificar a ausência. No entanto, essa justificação não colhe, uma vez que Portugal já esteve representado na última Expo de Shanghai, a mais de 10.000 quilómetros. A decisão já tinha sido tomada pelo governo de Passos Coelho. Não faltou quem fizesse força para que a decisão fosse outra, a começar pelo próprio Cazaquistão, que cedeu o espaço a custo zero baixando os custos da presença de Portugal de 5.000 milhões para 3,9 milhões. António Costa justificou a ausência para a bandeira portuguesa não estar presente: o Governo tinha herdado uma decisão já tomada. Todavia, a mesma não era irrevogável… Esta podia ser uma oportunidade única para Portugal apresentar as suas ultimas tecnologias e experiências durante a exposição, para dar visibilidade à pesquisa científica que no nosso país também existe. Eram 5 milhões de visitantes previstos: e esta marca já foi ultrapassada em 90 dias, dos 93 de duração.

Uma verdade aos nossos olhos, é que Astana está entre as trinta  melhores cidades mundiais. Estou maravilhado e como diz o brasileiro, isto “não é brinquedo não”. Em 1997, p presidente da República do Cazaquistão, Nursultan Nazarbayev, sugeriu mover a capital de Almaty para Akmola. Esta decisão baseou-se na importante localização geopolítica da cidade no centro do Cazaquistão e o seu posicionamento na Eurásia, bem como na disponibilidade de infraestruturas de transportes e comunicação. A nova localização da capital também foi escolhida para a disponibilidade de espaço e terra que permitiria que a cidade se desenvolvesse. Em 1998, a nova capital passou a chamar-se “Astana “que significa exactamente “Capital” na língua Khazhak.

Em Julho de 1999, Astana recebeu o prémio da “Cidade pela Paz” da UNESCO. A nova capital tem todas as características fundamentais para que se tornar uma das melhores urbes do  mundo. A capital cresce e muda continuamente, tornando-se cada vez mais atraente para o povo do Cazaquistão e também para os visitantes estrangeiros. A sua arquitectura moderna, que combina as tradições europeias e orientais, reflecte plenamente o papel da nova capital como um centro económico, político e cultural.

O conceito arquitectónico da cidade baseou-se na ideia do presidente Nazarbayev de que a cidade deveria ter uma perspectiva euroasiática. O autor do plano geral de Astana foi o famoso arquitecto japonês Kisho Kurokawa, que desenhou o museu Van Gogh em Amesterdão, o Aeroporto Onternacional de Kuala Lumpur e o Museu Etnológico Nacional de Osaka. Os conjuntos arquitectónicos criados de acordo com o design geral de Kurokawa combinam o design moderno e sabor oriental, o que torna a cidade única. A beleza e altura dos edifícios na cidade é de molde a comparar-se com Nova Iorque, Tóquio ou Dubai.

Norman Foster projetou e construiu a Casa das Religiões de Astana, o Palácio da Paz. A equipa do arquitecto também construiu o novo centro de entretenimento da capital, o “Kan Shatvr”.
Para hoje dia 7, estava previsto viajar para a ex-capital Almaty, de avião, um voo de cerca de 1h35 pelo preço de 45,22 euros com bagagem de porão incluída (atenção TAP aos preços dos voos domésticos)…

No entanto, descobri que existe comboio por um valor superior, mas em primeira classe, com cama, duche e pequeno almoço, tudo por 62 euros. São cerca de 12 horas de viagem nocturna. Vou poupar uma noite de hotel e um transfer do aeroporto. No poupar é que está o ganho: voltarei com notícias de Almaty.