Gil Canha diz que Paulo Cafôfo “deu barraca”, é “incompetente e perigoso”, fala em “escândalo” nas ribeiras e “atentado” no Savoy

Funchal-Funchal Forte-Gil Canha
O candidato do “Funchal Forte”, Gil Canha, afirma que “o mais grave ainda é que o sr. Paulo Cafôfo autorizou mais espaços comerciais no Savoy, quando temos uma cidade com ruas cheias de lojas fechadas e comerciantes desesperados”.

Gil Canha, pode dizer-se, é uma “pedra no sapato” para Paulo Cafôfo. De aliado a adversário contundente foi um passo muito curto. Integrou a Coligação Mudança que levou o atual presidente da Câmara ao poder, fez parte da vereação, deu que falar com diversas intervenções, mas acabou em choque com o líder autárquico. Abandonou o projeto acusando Cafôfo de ter “cedido a grupos de interesses”. Desde então, não dá tréguas ao presidente da Câmara do Funchal e as suas declarações públicas arrasam a gestão destes quatro anos. “Funchal Forte” dá título ao projeto que abraçou para disputar as próximas eleições autárquicas. Com alvo na mira: tirar o poder que em 2013 destronou o PSD da Câmara do Funchal. É claro quando define o seu projeto: “Restabelecer os ideais da verdadeira Mudança, que foram traídos por Paulo Cafofo em 2013”.

Na necessidade deste desafio esteve subjacente uma exigência: “Concorrer com uma coligação de partidos com algumas referências importantes para mim, desde que não me exigissem lugares na lista para a Câmara. Os únicos partidos que aceitaram essas condições foi o PPM e o PURP, todos os outros queriam lugares e tachinhos, por isso ficaram pelo caminho…”.

Contra o jardinismo com outros adereços

O “Funchal Forte” é mais a favor do Funchal ou mais contra Cafôfo? Gil Canha quer “restabelecer ideais que, em sua opinião, foram “traídos” por Cafôfo. Quer “acabar com as clientelas politicas, com os vícios, com a falta de transparência e defender uma administração autárquica mais agilizada e eficiente. Obviamente, que se alguém está ao lado dos grandes interesses que sequestram a Câmara, se alguém está do lado da corrupção e das jogadas de bastidores, se alguém só toma medidas populistas e deixa a gestão da câmara e da cidade para segundo plano, obviamente que essa entidade é prejudicial à urbe, à comunidade, e tem de ser combatida. Por isso o nosso combate é sempre a favor da cidade e contra aqueles que querem continuar com o jardinismo com outras roupagens e com outros adereços”.

Paulo Cafôfo “deu barraca”

A experiência do agora candidato pelo “Funchal Forte” na vereação parece ter sido dececionante do ponto de vista do exercício de cargos políticos. Já afirmou que a sua missão foi corroída por interesses, num quadro que até então constituía apenas “imagem de marca do PSD”, como sempre acusou a oposição. Tem a ideia que independentemente dos partidos, quem chega ao poder cede aos grupos instalados? Se é assim, como é que o povo sai disso? Como pode confiar e em quem?

São estas questões que fazem Gil Canha retomar um pouco o passado. Lembra que “há cerca de dez anos as pessoas começaram a desacreditar nos políticos “profissionais”, e com razão, então os partidos sentiram a necessidade de concorrer com “independentes” ou cidadãos sem filiação partidária. Só que na minha opinião, os ditos “independentes” podem ser uma questão de sorte, porque na maioria das vezes têm sido piores que os ditos políticos profissionais, e explico porquê: a um politico, digamos, de carreira, é conhecida a sua conduta e o seu carater pela população e ao longo da sua vida política é permanentemente escrutinado pela comunicação social e pela comunidade, um “independente”, como não passou por esses crivos, isto é, por uma espécie de seleção natural darwiniana, aparece sem se saber quem é e qual o seu mérito ou a sua conduta. E por vezes, desculpe-me a expressão, dá barraca, que foi o que aconteceu com Paulo Cafofo, em que se veio provar que é incompetente para ocupar o cargo e ainda por cima perigoso para os munícipes, veja-se a sua negligência no caso da tragédia do Monte”.

“O Gil Canha não é muito dado a medos”

Reconhece que “a maioria dos políticos tem medo de enfrentar os grupos económicos”, mas também esclarece o que diversas declarações públicas e posições têm demonstrado: “As pessoas sabem que o Gil Canha não é muito dado a esses medos”.

Cuidar a cidade porque “está desleixada”

funchal forte
“Para derrotar os grupos económicos e os grandes interesses que mandam e desmandam na nossa cidade as pessoas não podem votar nos mesmos, porque esses fazem parte do sistema ou venderam-se ao mesmo”, defende Gil Canha.

O desenvolvimento da cidade, com o cunho do movimento “Funchal Forte”, quer vencendo, quer elegendo um, quer ainda elegendo mais vereadores, tem como base de partida “uma equipa que concorre ao governo da cidade do Funchal, escolhida pelo mérito, pela experiência e pelo conhecimento”. Gil Canha afirma não ter pejo algum em classificar esta como “a melhor equipa para gerir a autarquia. Os nossos vetores principais, serão, cuidar da cidade porque está desleixada; incentivar os funcionários dando-lhes mais autoridade e mais estímulos; avançar com a desmaterialização interna; com a reabilitação do nosso comércio e do nosso património edificado; com os regulamentos de ocupação da via pública e publicidade e reformar todo o procedimento processual que emperram e exasperam os munícipes. Na parte urbana, velar que todos têm os mesmos direitos, não pode o Senhor tal fazer o que bem quer no seu terreno, e o desgraçado que não tem influência nem poder político e económico ficar a ver navios. No fundo, defender uma cidade mais segura, mais participativa e que todos tenham igualdade de oportunidade”.

Torrinha e Conde Carvalhal de interesse municipal

Do ponto de vista das “linhas chave” que poderão conduzir a cidade do futuro, Gil Canha sublinha acima de tudo que “o Funchal tem que apostar no desenvolvimento sustentável, como por exemplo aproveitar a beleza do nosso anfiteatro, o pitoresco da nossa paisagem bordejada por plantas subtropicais, na recuperação do nosso património edificado, na criação do eco-parque marinho da frente mar do concelho e não deixar que as zonas altas avancem pela serra acima ou para zonas de risco. Há que classificar de interesse municipal algumas ruas, como a Torrinha e a Conde Carvalhal, nomeadamente as suas moradias, quintas e balcões floridos. Há que relançar o aquário municipal e criar mais eventos para dinamizar a cidade e diversificar a nossa economia para gerar mais empregos. É por isso que criamos o Átrio Social e outras iniciativas para retirar a cidade do marasmo cafofiano”.

O que aconteceu com as ribeiras “é um escândalo”

O que vai fazer com os grandes “temas quentes” da cidade é o que os eleitores quererão saber desta candidatura. Por exemplo, a situação das ribeiras, sendo do Governo, a Câmara deveria ter uma posição mais firme? O Savoy, de culpa em culpa, terá que manter a estrutura definida? As esplanadas na ocupação dos passeios…

O candidato não foge a nenhuma das questões. Começa pelas ribeiras: “O que aconteceu com as ribeiras é um escândalo. O problema está a montante, não a jusante. Basta ir às zonas altas e vemos ribeiros a se passearem no meio de habitações, vemos por exemplo, a Ribeira de Santa Luzia que corre num grande segmento em frente aos Horários do Funchal com uma das margens sem muro de contenção. E estão ali toneladas de material sedimentar aguardando a próxima aluvião”.

“Os culpados pelo Savoy são Albuquerque e Cafôfo”

Aborda o Savoy como sendo uma questão que há muito levantou: “Eu fui um dos primeiros a alertar a nossa comunidade para o monstro, ninguém nos ouviu, e também por causa disso o sr. Paulo Cafofo tirou-me os pelouros, agora está toda a gente com as mãos na cabeça. Os culpados por este atentado à nossa economia e ao nosso ambiente são o sr. Miguel Albuquerque e o sr. Paulo Cafôfo. Deviam ser julgados e presos por aquilo que fizeram à nossa terra. E o mais grave ainda é que o sr. Paulo Cafôfo autorizou mais espaços comerciais no Savoy, quando temos uma cidade com ruas cheias de lojas fechadas e comerciantes desesperados”.

“Interesses da cidade salvaguardados com a nossa lista”

Há quem coloque estas eleições num patamar de bipolarização. Para derrotar Cafôfo é preciso votar Rubina Leal. Para impedir Rubina Leal é preciso votar Cafôfo. É assim que vê? Gil Canha diz que não. E explica: “Para derrotar os grupos económicos e os grandes interesses que mandam e desmandam na nossa cidade as pessoas não podem votar nos mesmos, porque esses fazem parte do sistema ou venderam-se ao mesmo. As pessoas têm de ter consciência ao votar, e votar na nossa lista é garantir que a cidade vai ser melhor administrada e que os superiores interesses da cidade serão sempre salvaguardados”.

Não sei porque não se demitiu nem demitiu ninguém”

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“Não percebo porque razão um assunto tão trágico e tão grave como aquele que se passou no Monte, ele (Cafôfo) não se demitiu nem demitiu ninguém”.

Sobre a tragédia do Monte e a eventualidade da mesma ter influência numa suposta penalização da candidatura da Coligação Confiança, o candidato do “Funchal Forte” não responde diretamente, antes prefere fazer uma analogia com episódios passados enquanto foi vereador da equipa de Cafôfo: “Sabe, quando os Sousas cercaram a Câmara, o sr. Presidente Paulo Cafôfo pediu-me para me demitir. Depois, mais tarde, quando não me vendi à corrupção do sr. Paulo Cafôfo, ele retirou-me os pelouros. É por isso que não percebo, porque razão, um assunto tão trágico e tão grave como aquele que se passou no Monte, ele não se demitiu nem demitiu ninguém. Isto é uma prova que o Presidente anda num desnorte total, aliás, antes não voava uma mosca na Câmara que não fosse pela santíssima graça e condescendência de Paulo Cafôfo, nada acontecia na cidade de bom que não fosse pela mão de Cafôfo, até o Lido foi construído de raíz por ele, o tal ser bondoso e omnipresente que vela pelo bem estar de todos e que tudo cria. Aconteceu a desgraça do Monte, uma coisa má, e ele desapareceu que nunca mais ninguém o viu por aí de cremalheira sorridente, a se pavonear em frente às Câmaras de TV. Os verdadeiros líderes são para os bons e maus momentos, e não aqueles que se escondem a mínima vicissitude”.

Eleições “graves se Cafôfo ganhar”

De que forma estas eleições poderão ter leituras políticas ao nível da governação regional?

Gil Canha reage de imediato: “Podem ser graves para a Madeira no caso de Paulo Cafofo ganhá-las. Porque, no fundo, era a ilha regredir ao populismo bacoco e a se render aos grandes monopólios, que deram e dão cabo dos rendimentos das nossas famílias e atentam contra os nossos recursos naturais”.

Respira-se melhor democracia com as alterações operadas na política madeirense? “Sem dúvida, costumo dizer que Miguel Albuquerque é um dos principais responsáveis pela desgraça que se abateu sobre a Madeira nos últimos 40 anos de regime ditatorial. Até, no plano urbanístico”, ironiza afirmando que “Albuquerque fez mais estragos na cidade do Funchal que o bombardeamento do submarino alemão na Primeira Guerra Mundial”. Mas no campo da tolerância e do espírito democrático considera que “está a anos de luz de Jardim”.