Candidato da CDU na Calheta foi do PSD há 40 anos e continua desiludido com os partidos

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José Costa diz que o desenvolvimento na Calheta não chegou a todo o concelho.

O candidato da CDU à Câmara da Calheta tem muitas histórias para contar. E muita experiência de vida que lhe garante algum posicionamento equidistante dos partidos. Meteu-se na política para ajudar a população, foi o primeiro presidente da junta de freguesia do Paul do Mar, em 1975, eleito pelas listas do PSD. Mais ou menos como quem vai do mar à serra, foi do PSD para a CDU, uma mistura de desilusão e descontentamento com o que via. O que vê não é que seja melhor, mas vai andando sempre com o mesmo objetivo: lutar pelo povo e por aquilo que falta fazer. Que diz “ser muito”.

Muita gente sem condições em casa

José Costa anda pelo concelho e sabe o que diz. “Há muita gente que ainda tem casas em más condições, uns sem água para tomar banho, outros veem entrar água em casa, enfim, um conjunto de situações que colocam o concelho ainda com alguns problemas por resolver”.

O candidato da Coligação Democrática Unitária acusa a atual gestão do PSD de desenvolver o concelho apenas no centro: “A Calheta está desenvolvida na zona da baixa, de resto é um concelho a várias velocidades. Há hotéis bons, é verdade, mas estão todos no centro. E se formos para a Ponta do Pargo, então é que é. Ponta do Pargo é uma freguesia esquecida”.

Garagem embargada “empurra-o” para a CDU

A história de José Costa tem muitos episódios interessantes ligados à política. Meteu-se a fazer uma garagem, mas como acontecia com toda a gente, na altura, o lixo ia todo para o calhau. Já estava na junta. A obra, claro, foi embargada por um fiscal, embora o presidente da Câmara, na altura, tivesse mandado avançar. Foi aos soluços mas foi. Só que esse “braço de ferro” não caíu bem em José Costa, que um dia disse, como tantas vezes o povo diz, “não é tarde nem é cedo” e pronto, mudou de partido. Foi candidato e diz com orgulho: “quase que dava a volta à junta”.

Não faço milagres e já nem Deus faz”

Volta a falar da atualidade para dizer que o concelho da Calheta, hoje, não mostra “um desenvolvimento geral”, diz que “falta limpar muitos terrenos” e quando se fala na mensagem que vai passar ao eleitorado para que este possa despertar interesse pela CDU, é muito direto: “Não faço milagres e já nem Deus faz. O que vou dizer é que estou disposto a ajudar as pessoas que têm necessidades e prometo andar mais perto da população”.

Reconhece a existência de um desenvolvimento na área do Turismo, mas repete críticas de que apenas se vê investimento na vila da Calheta, o resto “é paisagem”. Aponta a falta de sinalização de alguns percursos como um problema grave, refere que “algumas veredas não estão limpas e estão em péssimo estado. Os turistas enganam-se muitas vezes e voltam para trás”.

Afirma que há “tantas necessidades para satisfazer”, lembra-se por exemplo da exigência, feita aos agricultores, que foram obrigados a ser coletarem para vender um saco de semilhas. “Não estou de acordo com isso, é um absurdo.

Mudava tudo na Câmara, pessoal e tudo

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Se um dia chegasse a presidente da Câmara diz que “mudava tudo, pessoal e tudo”.

Se um dia chegasse à liderança da Câmara da Calheta, não tem dúvidas, “mudava tudo, pessoal e tudo, há mais gente a trabalhar na Câmara do que aqueles que trabalham cá fora”. Quando lhe dizemos que trabalhar na Câmara também é garantia de emprego para o concelho, responde que “arranjava emprego para eles, dois já eram colocados no parque de estacionamento, que deveria estar sob gestão da autarquia”.

Candidato do PSD nos Prazeres já foi do CDS

O comportamento do eleitorado, que praticamente criou ali um “bastião” do PSD, explica-se, segundo o que pensa José Costa, no facto de muitas pessoas “ainda pensarem que se votarem noutro partido vão ficar sem as reformas, quando a Câmara não tem nada a ver com isso. E além disso, há muita desilusão, como por exemplo acontece com o CDS/PP, que elegeu um presidente da junta dos Prazeres que agora é candidato do PSD”. Diz que “as pessoas votam no PSD por causa das promessas. Até prometem fazer apartamentos sem conservar as casas que existem no concelho e estão a degradar-se”.

Há gente na CDU que talvez não seja honesta

José Costa tinha a profissão de eletricista, está reformado mas diz que ainda faz “uns biscates”. Está na política, não para ganhar, mas para ajudar. Os partidos não lhe dizem muito, considera que mesmo que a CDU, por quem se candidata, “já teve mais condições”. Não esconde uns problemas que teve ou tem com a Coligação, mas prefere não especificar. Diz apenas que “quem vem para a política deve ser honesto” e confessa que “há gente na CDU que talvez não seja honesta”. Está consciente que se trata de uma afirmação complicada para quem se assume candidato em vésperas de umas eleições autárquicas. Mas mantém-se direto, sem fugir à questão: “Não me importa que seja complicado, o que é verdade é para dizer. Mas isso também acontece noutros partidos, não é só na CDU. Isto é como um quartel, entra bom e entra mau”.

Já ninguém entra nos partidos para ajudar

Da atividade partidária, está convencido que, hoje, “já ninguém entra nos partidos para ajudar alguém ou fazer o bem a alguém. Eles vão praticamente para defender os seus ordenados”.

O candidato da CDU apresenta-se, assim, ao eleitorado da Calheta. Com frontalidade, para dentro e para fora, não deixa críticas pot fazer, mostra uma simplicidade nas palavras que a política poderá ter dificuldade de absorver, por muita democracia que os partidos elevem na sua voz perante o povo. Mas José Costa também já fez, há mais de 40 anos, o que ninguém pensava: passou do PSD para a CDU. Por desilusão. Como parece estar hoje.